Seria realmente o fim da advocacia? #DepartamentoasQuintas

robo%cc%82-advogado-470x260Muito já se falou sobre o fim da advocacia.

Alguns mais trágicos, pensam que o fim da profissão se dará na realidade, sem a necessidade de advogados. Outros, como o autor Richard Susskind já escreveram sobre este tema há muitos e muitos anos, mas pelo viés de que a advocacia vem se reiventando, mudando e, portanto, a advocacia tradicional irá acabar.

Já escrevi sobre este assunto pelo menos 3 vezes desde 2009, não sendo um tema novo, portanto.

Contudo, hoje temos esta realidade saindo do papel e ingressando nas vias de fato, através dos robˆos, que nada mais são do que softwares que fazem um trabalho repetitivo e igual.

Vejamos uma reportagem sobre o tema:

Funções típicas de advogados já são feitas por softwares e robôs

Robôs estão assumindo cada vez mais funções em grandes escritórios – que vivem as mesmas pressões por eficiência de qualquer negócio

Um em cada quatro empregos conhecidos hoje deverá ser substituído por softwares e robôs até 2025 — e há quem aposte numa proporção ainda maior. O fato é que a tecnologia ameaça não apenas trabalhos braçais, mecânicos e técnicos mas também profissionais de carreiras tradicionais, como medicina, jornalismo, engenharia e, agora, direito. Os robôs estão assumindo cada vez mais funções nos grandes escritórios de advocacia — que, não é de hoje, são tocados como empresas e vivem as mesmas pressões por eficiência de qualquer negócio. “Nos próximos três anos, vamos ver outro mundo jurídico”, diz Guilherme Horn, diretor executivo da consultoria Accenture.

Os softwares de última geração não só compreendem significados como também fazem correlações. Além de analisar milhões de documentos em segundos, eles sugerem decisões a ser tomadas e alertam para qualquer mudança que possa afetar o caso. É o que o “robô” Ross faz, por exemplo. Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, com base na tecnologia de computação cognitiva Watson, da IBM, o Ross já está “trabalhando” em alguns escritórios de advocacia dos Estados Unidos. Outro exemplo é o Luminance, criado na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que promete acelerar o processo de auditoria em fusões e aquisições — quando um time completo de advogados analisa centenas de documentos complexos sobre uma empresa a ser comprada para determinar a viabilidade do negócio. Outras iniciativas, que vão de softwares de gestão de processos a plataformas virtuais de documentos e serviços ao consumidor, também estão ganhando espaço.

A possibilidade de redução de custo, obviamente, é um dos principais atrativos — no Brasil, as empresas gastam, em média, 2% de seu faturamento com litígios. Foi nesse ambiente que, em 2013, foi criada a Finch Soluções, como braço de um dos maiores escritórios do país, o JBM & Mandaliti, do interior paulista. A necessidade de automatizar procedimentos e reduzir despesas fez com que as áreas de suporte e tecnologia se unissem para desenvolver softwares que fazem em segundos o trabalho que dezenas de advogados demorariam meses — e analisa até mesmo o histórico de decisões de determinado juiz e a chance de sucesso de cada causa. O negócio deu tão certo que, em 2014, a Finch se mudou para São Paulo e começou a atuar de forma independente. “Não queremos substituir o advogado, mas dar ferramentas a ele para não perder tempo e ter o máximo de dados qualificados para tomar decisões”, diz Renato Mandaliti, um dos fundadores da Finch, que faturou cerca de 50 milhões de reais em 2016.

Assim como a Finch, outras companhias se apropriaram da tecnologia para atacar ineficiências na área jurídica. A paulista Looplex, por exemplo, padroniza e consegue diminuir para 5 mi-nu–tos a criação de uma peça jurídica de dezenas de páginas que levaria de 2 a 3 horas. A também paulista Justto faz a intermediação de impasses — casos de defesa do consumidor, por exemplo — sem que tenham de passar pela Justiça. A baiana JusBrasil, primeira startup brasileira a receber investimento de fundos, conta com um banco de dados de processos na Justiça e seu site recebe mais de 20 milhões de visitas por mês. Os aportes, que somam 10 milhões de reais de fundos como o brasileiro Monashees e o americano Founders Fund, do Vale do Silício, ajudarão a expandir o serviço de informação e busca por advogados. “Ajudamos as pessoas a encontrar um advogado, e isso chamou a atenção dos investidores”, diz Luiz Paulo Pinho, um dos fundadores da startup.

A eficiência dos robôs também tem seu preço. A contratação de assistentes virtuais mais sofisticados ultrapassa a casa do 1 milhão de reais por ano. Mas, como em outros setores, a expectativa dos empresários é que a inteligência artificial fique cada vez mais barata; e os serviços, mais acessíveis. Um mundo em que ninguém precisará se deslocar para participar de uma audiência ou para assinar documentos no cartório está mais próximo? Certamente vai levar muito tempo até que nossos abarrotados e caretas tribunais sejam transformados pela tecnologia. Mas a pressão por mais eficiência é real. O Instituto de Direito Público de São Paulo acaba de lançar o curso de extensão em ciência de dados aplicada ao direito para ensinar noções básicas de análise de dados aos advogados. “A carreira de analista e estrategista de dados deve ganhar muita relevância no meio jurídico”, diz Alexandre Zavaglia Coelho, coordenador do curso. Assim como os médicos estão se valendo de tecnologia para melhorar a qualidade de seu trabalho, os advogados também podem usar os novos serviços a seu favor — o robô, afinal, está vindo para ficar.

Fonte: http://exame.abril.com.br/revista-exame/deixa-que-o-robo-resolve/

Para os mais assustados, esclareço que por mais que um robô possa fazer atividades de estagiários e advogados, as atividades que ele pode desenvolver são aquelas que não tem pensar ativo, que precisam de padrões óbvios e que são repetitivas.

Hoje temos robôs que precisam apenas que sejam informadas as características do contrato, dados do mesmo que ele gera um contrato automaticamente. Na Europa já existe isto há tempos, aliás.

Agora vamos pensar: Este contrato modelo está adequado a realidade do cliente? Saberá o robô que este contrato necessita de cláusulas mais rígidas ou menos rígidas de pagamento, compliance, entre outras regras?

Saberá o robô dos vieses necessários de cada região para elaborar contratos precisos, como um profissional habilitado e experiente faria?

Penso que não. Ele dará as clausulas básicas, elementares e talvez até com algum refino. Contudo, o pensar da advocacia não foi e não será substituído.

Agora que a advocacia está mudando, está. E cada vez mais aquelas funções repetitivas, sem muito pensar, apenas de pesquisar e achar modelos estarão fadadas ao fim.

E você como está nesta mudança? Preparado?

Consciente das novas tecnologias para não ficar pra trás?

Não deixe pra pensar amanhã. Pode ser tarde.

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Pensamentos escritos por Gustavo Rocha
Consultoria Gustavo Rocha.com – Gestão, Tecnologia e Marketing Estratégicos
(51) 98163.3333  |  gustavo@gustavorocha.com  | http://www.gustavorocha.com

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2 comentários sobre “Seria realmente o fim da advocacia? #DepartamentoasQuintas

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