[Departamento as quintas] Pro bono

Todas as quintas-feiras publicamos no portal http://www.gestao.adv.br um artigo inédito sobre departamentos jurídicos e seus relacionamentos internos, com escritórios terceirizados e muito mais. Nos acompanhe!

 

O que vem a ser Pro Bono pra você?

Advocacia gratuita? Responsabilidade social? Ajudar os mais necessitados?

A leitora Antonieta Conceição Moreira sugeriu este tema e ao pensar nestes mesmos questionamentos me deparei com realidades bem interessantes que passo a descrever.

Historicamente, a advocacia “pro bono” surgiu na Roma antiga, onde os juristas não recebiam pelos seus pareceres e atuavam nos casos apenas pelo prazer de ver sua opinião prevalecer e ser aceita tanto pelos magistrados como pela sociedade. Nos Estados Unidos, a advocacia “para o bem” surgiu por iniciativa da própria sociedade civil que se organizava em programas sociais para o fortalecimento do Direito e das instituições existindo relatos dessa prática também no Brasil, na época do Império.

Rui Barbosa foi o primeiro advogado “pro bono” defendendo gratuitamente os escravos na época da abolição, e, em 1914, aderiu à causa dos marinheiros que se revoltaram e fizeram aquela que ficou conhecida como Revolta da Chibata. Fez um “habeas corpus” oral ao então presidente Hermes da Fonseca para pedir a liberdade imediata desses homens que estavam aprisionados em um navio conseguindo pleno êxito.

Recentemente, ao arguir sobre pro bono em outro artigo, manifestei sobre a questão do acesso a justiça:

(…)

E a realidade do acesso a justiça?

Vamos exemplificar apenas três – APENAS TRÊS – fatores que impedem o acesso a justiça:

1. Aviltamento dos honorários advocatícios;

2. A idéia de que somos litigantes;

3. Alguns pontos dentro do Processo eletrônico;

(…)

Leia na íntegra: http://gestao.adv.br/index.php/acesso-a-justica-como-assim/

 

E o que tudo isto tem a ver com a advocacia corporativa, cujo objeto é a coluna de departamento as quintas?

Muito. Muito mais do que você imagina.

Ser pro bono é fazer algo pelo ideal, sem receber nada em troca. Isto acontece muito dentro das paredes empresariais.

Como assim?

Basta associarmos o trabalho, com o tempo e a remuneração: Trabalhamos por xx horas e recebemos xxx por mês, por exemplo.

Todo o tempo que estamos dedicando e não estamos sendo remunerados, estamos trabalhando pro bono.

Quase como o famoso bordão: Vestindo a camiseta!

Aquela reunião sem pauta, sem objetivos, que disse muito e não se resolveu nada? Pro bono, pois não houve produção efetiva e alguém terá que ficar até mais tarde para resolver o que naquele tempo não foi resolvido.

Um colaborador que não produz, mesmo com muitos incentivos, treinamentos e conversa? Você continua com ele pra quê? Só pode ser pro bono, quer dizer, ele produz pouco e você se “ferra” para compensar as mancadas dele.

Relatórios manuais, falta de sistematização, sistemas que não dão o que é esperado? Pro bono, afinal a empresa sempre investe naquilo que o departamento conseguir demonstrar que é útil. Para que tantas pessoas fazendo trabalhos mecânicos? Vale a pena a máquina cuidar disto e deixar as pessoas para o seu verdadeiro valor: O pensar.

Viu como você advoga pro bono sem saber?

Aliás, não apenas advogar: gerencia, lidera, pastoreia pessoas… Tudo tem um lado que é pro bono.

Ao meu ver, respondendo a Antonieta sobre a minha visão pro bono:

Ter um pouco de pro bono em nossa existência é salutar, afinal, trabalhamos mais do que por dinheiro e tempo, trabalhamos por acreditar naquilo que seguimos. Contudo, entretanto, todavia e também tem o porém: se o pro bono atrapalha o core business do trabalho a ser desenvolvido, deve-se repensar, pois a estratégia está equivocada. (Gustavo Rocha)

Mais ou menos como se diz no avião toda vez antes de partir e você já não escuta porque está no automático: Se houver a despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão do teto. Pegue uma, coloque em volta da cabeça e respire normalmente. Se houver uma criança, primeiro ponha em você a máscara de depois nela.

Parece bobagem a indicação, mas neste exemplo a criança é o pro bono: Primeiro cuide de você, do seu tempo, do seu core business. Depois, faça, ajude e seja o melhor para a humanidade.

E, depois de tudo isto, tente me explicar como é que o avião caindo, com a cabine despressurizada, você vai conseguir respirar normalmente….

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Artigo escrito por Gustavo Rocha – Sócio da Consultoria GestãoAdvBr
http://www.gestao.adv.br gustavo@gestao.adv.br

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