Repensando a profissão de advogado

Recentemente num blog Americano chamado Sui Generis (acesse aqui a versão em inglês e aqui uma versão traduzida) propôs uma reflexão interessante: Repensar a profissão de advogado.

Feita a proposta, aceitei o desafio e escrevo sobre meus pensamentos a respeito.

Ser advogado não é apenas defender leis, buscar a justiça, ser indispensável, aliás, para a administração da mesma, conforme preceitua a Constituição Federal. Ser advogado é tudo isto, mas é muito mais.

Ser advogado pressupõe jogo de cintura para atender um cliente nervoso e transformar um problema impossível numa solução jurídica complexa, que não pode ser muito cara, nem durar muito tempo, tem que ser para “ontem”. Ah! Como isto ocorre todos os dias…

Ser advogado significa pegar um relatório de 10.000 processos na frente de um cliente e aleatoriamente discorrer sobre um dos 10.000 que o cliente quer saber o porque está a 60 dias para sair a sentença… Ah! Se ele soubesse quanto tempo leva um alvará ou precatório…

Ser advogado é ser um ser humano, humano, que é tratado como super-homem e recebe seus honorários como se fosse o vilão, mesmo ele pertencendo a “Liga da Justiça”. Ah! Se o cliente soubesse como é complicado não saber se no final do mês teremos condições de pagar funcionários sem fazer um empréstimo…

Atualmente, mais do que nunca, ser advogado é sinônimo de tecnologia, seja pelo processo virtual (veja mais aqui),  seja pela idéia do paper less (leia mais aqui), seja pela celeridade  e rentabilidade que os programas de gestão para escritórios podem proporcionar com um investimento pequeno. Ah! Se o cliente soubesse que quando comecei éramos eu e máquina de escrever…

Sem falar em Gestão, em que ser advogado,siginifica todas as idéias acima, mais algumas outras e ainda por cima, ter que gerenciar toda esta informação, tanto processual, tecnológica, prazos, audiências, estórias dos clientes, cases de sucesso, sem perder o bom humor, sorriso no rosto e estar sempre preparado para happy hours, reuniões de negócios a noite, viagens em finais de semana e por aí vai… Ah! Como era feliz com o meu primeiro processo…

Esta minha narratória é uma forma bem humorada de dizer que OS ADVOGADOS TEM UM VALOR INESGOTÁVEL PARA A SOCIEDADE, seja pelo aspecto social, munus público do seu trabalho, seja pelo aspecto de tranquilidade que deixa o seu cliente – que em fato transfere o seu problema para o advogado – e também por ser um profissional em que o horário não importa. Importa sim a busca incansável pela JUSTIÇA!

Destaco, por lógico, óbvio, ululante, diáfano, que a advocacia moderna está intimamente ligada a Gestão e a Tecnologia, que hodiernamente são mais do que simples conceitos, são ferramentas indispensáveis para que o advogado possa administrar o seu maior bem jurídico: O IDEAL DE JUSTIÇA do seu cliente!

Reflita a respeito.

Valorize-se como profissional. Tenha orgulho da sua profissão!

E para finalizar, deixo os pensamentos de Eduardo Couture, intitulados “Os mandamentos do Advogado”:

1) ESTUDA – O Direito se transforma constantemente. Se não seguires seus passos, serás a cada dia um pouco menos advogado.

2) PENSA – O Direito se aprende estudando, mas se exerce pensando.

3) TRABALHA – A advocacia é uma árdua fadiga posta a serviço da justiça.

4) LUTA – Teu dever é lutar pelo Direito, mas o dia em que encontrares em conflito o direito e a justiça, luta pela justiça.

5) SÊ LEAL– Leal para com o teu cliente, a que não deves abandonar até que compreendas que é indigno de ti. Leal para com o adversário, ainda que ele seja desleal contigo. Leal para com o juiz, que ignora os fatos e deve confiar no que tu lhe dizes; e que quanto ao direito, alguma outra vez, deve confiar no que tu lhe invocas.

6) TOLERA – Tolera a verdade alheia na mesma medida em que queres que seja tolerada a tua.

7) TEM PACIÊNCIA – O tempo se vinga das coisas que se fazem sem a sua colaboração.

8) TEM FÉ – Tem fé no Direito, como o melhor insrumento para a convivência humana, na Justiça, como destino normal do Direito, na Paz, como substituto bondoso da Justiça e, sobretudo, tem fé na Liberdade, sem a qual não há Direito, nem Justiça, nem Paz.

9) OLVIDA – A advocacia é uma luta de paixões. Se em cada batalha fores carregando tua alma de rancor, chegará um dia em que a vida será impossível para ti. Concluído o combate, olvida tão prontamente tua vitória como tua derrota.

10) AMA A TUA PROFISSÃO – Trata de considerar a advocacia de tal maneira que o dia em que teu filho te pedir conselho sobre seu destino, consideres um honra para ti propor-lhe que se faça advogado.

5 comentários sobre “Repensando a profissão de advogado

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