Parabéns, advogados e estudantes! Os 10 mandamentos de Couture revisitados pela ótica da gestão, tecnologia e marketing jurídico

Olá, pessoal! Dia 11 de agosto, uma data carrega significado dobrado para quem trabalha com Direito no Brasil. É Dia do Advogado e também Dia do Estudante. Antes de qualquer outra coisa, parabéns a todos os colegas de profissão, aos estudantes que estão dando os primeiros passos no Direito (ou em qualquer área), e a quem dedicou ou dedica a vida ao estudo. Vocês merecem celebração.

Pra quem não conhece a história por trás da data, vale uma volta no tempo. Em 11 de agosto de 1827, Dom Pedro I sancionou a lei que criou os dois primeiros cursos de Ciências Jurídicas e Sociais do Brasil. Um foi instalado em Olinda, em Pernambuco, e o outro em São Paulo, no famoso Largo São Francisco. Antes disso, quem queria se formar advogado precisava cruzar o Atlântico e estudar em Coimbra, em Portugal. A criação dos cursos em solo brasileiro mudou a história das instituições do país e formou os quadros que ajudaram a construir o que veio depois.

Cem anos depois, em 1927, o advogado Celso Grand Ley propôs, no centenário dos cursos, que o 11 de agosto também fosse oficializado como Dia do Estudante. A proposta vingou. Em 1937, a UNE adotou a mesma data. É por isso que advogados e estudantes celebram juntos, no mesmo dia, com o mesmo motivo histórico de fundo.

Tem ainda o famoso Dia do Pendura, tradição antiga em que donos de bares e restaurantes pagavam a conta de advogados e bacharelandos como sinal de respeito à profissão. A prática foi morrendo conforme a quantidade de profissionais crescia, mas ficou no folclore.

Bem, contextualizada a data, vou ao que mais me motivou a escrever esse artigo. O jurista uruguaio Juan Eduardo Couture (1904 a 1956), catedrático de Processo Civil e decano da Faculdade de Direito de Montevidéu, escreveu Os Mandamentos do Advogado, dez orientações curtas que viraram patrimônio cultural da advocacia ibero-americana. O pequeno livro teve edição em vários idiomas, virou referência de cabeceira pra gerações de juristas, e segue sendo distribuído em cerimônias de colação até hoje.

Eu li os mandamentos pela primeira vez quando ainda era estudante, e revisitei muitas vezes ao longo dos anos. Cada releitura traz uma camada nova. Hoje eu queria propor um exercício diferente: olhar para cada um dos dez mandamentos com os olhos de quem trabalha há mais de duas décadas com gestão, tecnologia e marketing jurídico. Os mandamentos seguem atualíssimos. O jeito de cumpri-los, esse sim, muda conforme o tempo, a tecnologia e o mercado evoluem.

1. Estuda

O Direito se transforma constantemente. Se não seguires seus passos, serás a cada dia um pouco menos advogado.

Quando Couture escreveu isso, no século passado, a transformação do Direito acontecia em meses ou anos. Em 2026, acontece em semanas. IA generativa virou rotina dentro de escritório, jurimetria deixou de ser jargão acadêmico, LGPD redesenhou a relação entre advogado, cliente e dado, o Provimento 205 da OAB redefiniu marketing jurídico. Quem parou de estudar há cinco anos hoje fala outra língua diferente do colega antenado.

Estudar também deixou de ser só ler doutrina e legislação. Conhecer ferramenta nova, testar IA com método, entender o que é RAG ou prompt engineering, isso tudo entrou no kit básico do profissional moderno. Quem segue atualizado só na tese jurídica, e ignora a camada operacional, vai dando lugar ao colega que estuda os dois lados.

2. Pensa

O Direito se aprende estudando, mas se exerce pensando.

Esse mandamento ficou ainda mais importante depois da popularização da IA generativa. ChatGPT, Claude, Gemini, NotebookLM, todos eles entregam um rascunho em segundos. O perigo é o advogado parar de pensar e começar a só revisar o que a máquina entregou.

IA não dispensa raciocínio jurídico. Pelo contrário, exige raciocínio mais afiado, porque agora você precisa ler com mais atenção pra identificar onde a ferramenta inventou jurisprudência inexistente, onde citou artigo errado de lei, onde interpretou de forma rasa um caso complexo. Pensar virou ainda mais decisivo.

3. Trabalha

A advocacia é uma luta árdua posta a serviço da justiça.

Continua verdade, e continua sendo dura. O que mudou é como o trabalho se distribui. Tarefa repetitiva (juntada de documento, captura de andamento, geração de minuta inicial padrão, controle de prazo) hoje pode ser automatizada por robô ou IA. Isso libera o advogado pra concentrar a energia naquilo que só ele pode fazer: estratégia, contato com cliente, sustentação, decisão difícil.

Trabalhar muito continua valendo. Trabalhar muito em tarefa que máquina já faz, em 2026, virou desperdício de talento humano e de honorário cobrado.

4. Luta

Teu dever é lutar pelo Direito, mas no dia em que encontrares em conflito o direito e a justiça, luta pela justiça.

Esse aqui é dos mandamentos mais belos do conjunto, e segue valendo da mesma forma que valia há setenta e tantos anos. A diferença é que hoje a luta também é por outras coisas. Pela saúde mental do advogado. Pela viabilidade econômica do escritório pequeno. Pela diversidade dentro do Direito. Pela proteção do dado do cliente. Pela ética no uso de IA. São lutas novas que coexistem com a luta histórica pela justiça e a tornam ainda mais ampla.

5. Sê leal

Leal para com o teu cliente. Leal para com o adversário, ainda que ele seja desleal contigo. Leal para com o juiz.

Lealdade é tema que não envelhece. Em 2026, ganhou camadas. Lealdade com o dado do cliente passa por proteção de dados pessoais, por uso responsável de IA (não jogar contrato sigiloso em modelo público, por exemplo), por backup contra ransomware. Lealdade com o adversário passa por evitar peças aéreas com jurisprudência fabricada por IA mal usada. Lealdade com o juiz passa por entregar conteúdo verificado, claro e útil, em vez de petição inflada por geradores automáticos. A ética antiga ganhou novas formas de aparecer.

6. Tolera

Tolera a verdade alheia na mesma medida em que queres que seja tolerada a tua.

Couture estava falando de processo, de embate de teses. Hoje, eu acho que cabe ler também como tolerância dentro do escritório. Diversidade de gerações, de formações, de estilos de trabalho. O sócio mais experiente que precisa entender o associado mais jovem que prefere reunião remota. O associado jovem que precisa respeitar a experiência de quem fez carreira no analógico. Cultura saudável dentro de banca passa por essa tolerância dos dois lados, e impacta direto na retenção de talento.

7. Tem paciência

No Direito, o tempo se vinga das coisas que se fazem sem a sua colaboração.

A Justiça brasileira segue lenta, embora processos eletrônicos tenham acelerado parte do caminho. Paciência continua virtude. Mas hoje paciência precisa conviver com agilidade. Cliente espera resposta no WhatsApp em horas, não em dias. Audiência marca, desmarca, vira videoconferência, vira presencial. Quem cultiva paciência sem sacrificar agilidade encontra o equilíbrio difícil que o mercado pede.

8. Tem fé

Tem fé no Direito, na Justiça, na Paz, e sobretudo na Liberdade.

Esse mandamento, eu confesso, virou mais difícil de cumprir. Vivemos um tempo de descrença generalizada nas instituições. Mesmo assim, ou justamente por causa disso, a fé que Couture pediu ainda é necessária. Sem fé no Direito, a profissão vira só técnica de manipulação processual. Sem fé na liberdade, vira engrenagem sem sentido. O advogado que mantém viva essa fé é o mesmo que segura a porta aberta para os próximos colegas que virão.

9. Esquece

Após o combate, esquece tanto a tua vitória quanto a tua derrota.

Esse mandamento é sobre saúde mental, e em 2026 isso pesa muito. Burnout na advocacia é estatística pesada. Ansiedade, depressão, abuso de substâncias, problemas relacionais, tudo aparece em pesquisas com profissionais do Direito. Aprender a desligar entre um caso e outro, a não levar pra casa o ódio do litígio, a não confundir cliente com adversário, é sobrevivência. Esquecer com inteligência é cuidado próprio.

10. Ama tua profissão

Trata de conceber a advocacia de tal maneira que, no dia em que teu filho te pedir conselho sobre seu destino, consideres uma honra propor-lhe que se faça advogado.

Esse é o último, e talvez o mais bonito. Amor pela profissão é o que sustenta os outros nove mandamentos. Sem ele, estudar vira fardo, pensar vira esforço, lutar vira frustração. Com ele, mesmo o pior dia tem propósito.

Em 2026, eu acrescento uma camada. Amar a profissão também é cuidar dela como organização. Cuidar do escritório como negócio sustentável, cuidar do cliente como pessoa, cuidar da equipe como time, cuidar de si como ser humano. A advocacia que amamos hoje precisa ser uma advocacia inteira, que considere todas essas dimensões.

E o que tudo isso tem a ver com o que eu faço

Eu sou Gustavo Rocha, atuo há mais de 20 anos como consultor em gestão, tecnologia e marketing pra escritórios de advocacia e departamentos jurídicos. Antes de virar consultor, fui advogado e gestor de banca. A Consultoria GustavoRocha.com nasceu pra ajudar profissionais e organizações jurídicas a viver os mandamentos de Couture na prática, com pé no chão e olho no presente.

Em gestão, isso significa montar plano de carreira que faça sentido pra equipe, ajustar fluxo interno que estava travando o dia, organizar precificação de honorário, construir indicador que vire decisão real e não só relatório bonito. Em tecnologia, é escolher software adequado ao tamanho e perfil da banca, implantar IA com método, montar robô de automação que economize horas todo dia, estruturar dado pra rodar jurimetria, garantir adequação à LGPD com seriedade. Em marketing jurídico, é construir presença digital ética, posicionar a marca, gerar conteúdo que educa o cliente, criar canais de relacionamento que aproximam.

Cada cliente recebe trabalho personalizado. Não acredito em receita pronta. O que serve para banca trabalhista de quatro pessoas no interior do Rio Grande do Sul não é o mesmo que serve para departamento jurídico de multinacional em São Paulo. O método é estruturado, a aplicação é singular pra cada caso.

Quem quiser conversar comigo, é só chamar pelo WhatsApp ou Telegram (51) 98163.3333, ou pelo e-mail gustavo@gustavorocha.com. Tenho atendimento por hora e também projetos fechados de três meses pra temas mais complexos.

Fechando com um abraço

Aos colegas advogados, aos estudantes que estão começando agora, e a quem deixou a advocacia mas mantém o coração jurídico: parabéns. A profissão está viva, mudando, exigindo o melhor de cada um, e ainda valendo cada esforço. Que o 11 de agosto de 2026 nos lembre de que somos parte de uma tradição de quase dois séculos no Brasil, fundada em pleno período pós-independência, e que cada advogado de hoje é continuação dessa história.

Estuda. Pensa. Trabalha. Luta. Sê leal. Tolera. Tem paciência. Tem fé. Esquece. Ama tua profissão.

Couture acertou em cheio. Cabe a cada geração descobrir como honrar o mandamento sem perder a essência. Boa data, pessoal. Que venha mais um ano de boa advocacia!

Gustavo Rocha

Consultor em gestão, tecnologia e marketing jurídico

Especialista em Inteligência Artificial aplicada ao Direito e em Privacidade

Professor de Pós-Graduação e coordenador de grupos de estudos na ESA/RS

Membro de comissões da OAB/RS e OAB/SP

Site: http://www.gustavorocha.com | E-mail: gustavo@gustavorocha.com

WhatsApp/Telegram: (51) 98163.3333 

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