Todos os anos a Cidade da Advocacia reúne inúmeros colegas para trocar experiências, conhecer novas ideias e discutir os caminhos da profissão. É um daqueles eventos em que sempre saímos com novos contatos, novas reflexões e, principalmente, com a sensação de que a advocacia está em constante evolução.
Neste ano, tenho a alegria de participar da programação em três momentos diferentes. Cada palestra tem um foco próprio, mas todas conversam entre si. A ideia foi construir uma jornada que passa pela prática, pela gestão, pela estratégia e pelo posicionamento profissional.
Muito mais do que falar sobre tecnologia, quero conversar sobre pessoas, sobre advocacia e sobre como podemos trabalhar melhor em um cenário que muda todos os dias.
No dia 4 de agosto, das 9h ao meio dia, acontece o workshop “A Inteligência Artificial e a Prática Jurídica. Muito Além de Ferramentas!”.
Escolhemos esse título porque existe um equívoco muito comum. Quando se fala em Inteligência Artificial, muita gente pensa apenas em um chatbot respondendo perguntas. Mas o verdadeiro impacto dessa transformação está muito além disso.
Durante essas três horas vamos conversar sobre como a advocacia está mudando e, principalmente, como cada profissional pode aproveitar esse momento para trabalhar de forma mais organizada, mais eficiente e com mais qualidade.
Não será um encontro para apresentar dezenas de aplicativos ou fazer uma sequência de demonstrações rápidas. A proposta é mostrar uma forma diferente de pensar o trabalho jurídico.
Vamos falar sobre organização do conhecimento, revisão de documentos, pesquisa jurídica, elaboração de peças, fluxos de trabalho, atendimento ao cliente, produtividade e gestão da informação.
Também vamos discutir um tema que considero fundamental: o pensamento crítico.
Nenhuma ferramenta substitui a capacidade do advogado de interpretar um problema, construir uma estratégia, negociar ou tomar decisões. A tecnologia pode acelerar processos, organizar informações e reduzir tarefas repetitivas, mas continua sendo o profissional quem define os rumos do trabalho.
Outro ponto importante será a segurança da informação, a confidencialidade dos dados e os cuidados que todo escritório precisa adotar para utilizar essas soluções com responsabilidade.
Quero que cada participante saia do workshop não apenas conhecendo novas possibilidades, mas entendendo como aplicar tudo isso no dia seguinte, dentro da sua própria realidade.
No dia 5 de agosto, às 9 horas, participarei do painel “Inteligência Artificial e os diferenciais competitivos para o dia a dia”, ao lado do colega Carlos Thomaz Avila Albornoz, com mediação do presidente da Comissão de Tecnologia e Inovação da OAB/RS, Pedro Martins Filho.
Aqui a conversa muda um pouco de direção.
Depois de entender como utilizar essas ferramentas, surge uma pergunta muito interessante.
Se todos terão acesso às mesmas tecnologias, onde estará o verdadeiro diferencial?
Na minha visão, continuará estando nas pessoas.
Conhecimento jurídico, experiência, relacionamento com clientes, capacidade de gestão e visão estratégica continuam sendo ativos que nenhuma plataforma consegue entregar.
Vamos conversar sobre como organizar melhor os escritórios, como utilizar informações para tomar decisões mais inteligentes, como aumentar a produtividade sem perder qualidade, como preparar equipes para uma nova realidade e como transformar inovação em vantagem competitiva.
Também quero provocar uma reflexão importante.
Nem toda novidade precisa ser adotada imediatamente.
Nem toda automação faz sentido.
Nem todo problema precisa de tecnologia.
O desafio está justamente em saber escolher onde investir tempo, energia e recursos para gerar resultados concretos.
No dia 7 de agosto, às 16h30, encerro minha participação na Cidade da Advocacia no painel “Marketing Jurídico no Mundo Digital sob a Visão Regulatória da OAB”, ao lado de Gabriel Lopes Moreira, Felipe Possamai e Josana Rosolen Rivoli.
Esse é um tema que sempre gera excelentes debates.
Vivemos um momento em que praticamente todo advogado produz conteúdo, utiliza redes sociais, participa de eventos, grava vídeos ou escreve artigos.
Ao mesmo tempo, continuam existindo dúvidas sobre os limites éticos dessa atuação.
Como construir autoridade?
Como compartilhar conhecimento sem transformar isso em publicidade inadequada?
Como utilizar as novas ferramentas de comunicação respeitando integralmente o Código de Ética da OAB?
Essas perguntas aparecem praticamente todos os dias nas consultorias que realizo.
Vamos conversar sobre posicionamento profissional, produção de conteúdo, reputação, relacionamento com clientes e como construir uma presença digital consistente sem abrir mão da ética que caracteriza a advocacia.
Mais do que discutir redes sociais, quero falar sobre credibilidade.
No final das contas, pessoas contratam pessoas em quem confiam. A tecnologia pode aproximar, facilitar a comunicação e ampliar o alcance, mas confiança continua sendo construída pela qualidade do trabalho, pelo conhecimento compartilhado e pela coerência entre aquilo que falamos e aquilo que entregamos.
Fico muito feliz por poder participar mais uma vez da Cidade da Advocacia.
São três momentos diferentes, mas que fazem parte de uma mesma conversa sobre o futuro da nossa profissão.
Se você já acompanha meu trabalho, sabe que sempre procuro trazer experiências reais, situações do dia a dia e reflexões que possam ser aplicadas imediatamente, sem fórmulas prontas e sem promessas milagrosas.
Espero encontrar muitos colegas durante esses dias para trocar ideias, ouvir diferentes pontos de vista e aprender junto com vocês. Afinal, talvez essa seja a maior riqueza de eventos como a Cidade da Advocacia: perceber que a advocacia continua evoluindo e que nós também podemos evoluir com ela.
Nos vemos em agosto!
Gustavo Rocha
Consultor em Gestão, Tecnologia e Marketing Jurídico Estratégico
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