Os relatórios econômicos da empresa criadora do Claude mostram uma transformação que já começou. A inteligência artificial está mudando a produtividade, as competências profissionais e a maneira como as organizações distribuem o trabalho. Na advocacia, compreender esses movimentos pode ser tão importante quanto aprender a utilizar as ferramentas.
Imagine um escritório de advocacia que consegue produzir em vinte minutos uma minuta que antes exigia duas horas de trabalho. O advogado responsável comemora a produtividade, o gestor começa a imaginar quantas outras atividades poderão ser automatizadas e o sócio percebe uma oportunidade de melhorar os resultados financeiros.
Até aqui, tudo parece positivo.
Entretanto, quando a minuta chega à revisão, aparecem informações que precisam ser conferidas, referências jurisprudenciais que exigem validação e argumentos que precisam ser adaptados à estratégia do processo. A tarefa ficou mais rápida em sua etapa inicial, mas ainda depende de trabalho humano para se transformar em uma entrega profissional confiável.
Agora imagine esse mesmo cenário acontecendo em milhares de escritórios, departamentos jurídicos, empresas de tecnologia e organizações de diferentes setores econômicos.
É justamente esse movimento que a Anthropic, empresa responsável pelo Claude, procura compreender por meio de seus estudos sobre o impacto econômico da inteligência artificial.
E os resultados merecem atenção, especialmente de quem administra pessoas, processos, tecnologia e conhecimento.
A Anthropic resolveu investigar o que realmente acontece quando as pessoas trabalham com inteligência artificial
A Anthropic desenvolveu uma iniciativa chamada Anthropic Economic Index, dedicada a estudar como a inteligência artificial está sendo utilizada nas atividades profissionais e quais consequências econômicas podem surgir dessa transformação.
A proposta é particularmente interessante porque utiliza informações derivadas das interações com o Claude para identificar tarefas executadas, competências envolvidas, níveis de autonomia concedidos à tecnologia e padrões de utilização.
Em vez de depender exclusivamente de projeções sobre o que a inteligência artificial poderá fazer, a pesquisa também examina o que as pessoas já estão tentando realizar com ela.
Isso permite observar diferenças entre duas situações que frequentemente aparecem misturadas nas discussões sobre tecnologia.
Na primeira, o profissional utiliza a inteligência artificial como apoio para pensar, pesquisar, estruturar informações e desenvolver uma atividade. Na segunda, delega à ferramenta a execução de uma tarefa, com menor participação durante o processo.
A distinção importa porque as consequências organizacionais são diferentes. Uma ferramenta que ajuda o advogado a construir uma estratégia jurídica modifica a maneira como ele trabalha. Uma ferramenta que executa automaticamente determinadas atividades pode modificar também a distribuição de responsabilidades, a necessidade de pessoal e a estrutura operacional do escritório.
Os estudos não oferecem respostas definitivas para essas transformações, mas fornecem informações relevantes para uma discussão que precisa avançar além do entusiasmo com novas funcionalidades.
Um dado impressionante: 86% dos participantes relatam trabalhar mais rápido com IA
Na edição de junho de 2026 do Economic Index, intitulada Cadences, a Anthropic apresentou resultados de uma pesquisa com aproximadamente 9.700 participantes, relacionando suas percepções com padrões de utilização da ferramenta.
Entre os participantes, 86% relataram ganhos de velocidade no trabalho, enquanto 82% afirmaram conseguir realizar mais atividades com o auxílio da inteligência artificial. Outros 69% perceberam melhoria na qualidade das entregas.
Os resultados também alcançaram aspectos relacionados ao desenvolvimento profissional. Cerca de 68% relataram aprender mais com o uso da tecnologia, enquanto 57% perceberam uma valorização de suas competências.
São números expressivos, mas precisamos interpretá-los corretamente.
Quando 86% dos participantes afirmam trabalhar mais rápido, isso significa que essa proporção percebeu ganhos de velocidade. O estudo não está afirmando que a produtividade aumentou 86%.
Também precisamos considerar que a pesquisa envolve usuários do Claude, com características próprias, e que os resultados não podem ser automaticamente generalizados para todas as profissões ou organizações.
Ainda assim, existe uma informação relevante: entre as pessoas pesquisadas, a percepção de ganho de produtividade é amplamente disseminada.
Para quem trabalha com gestão, surge uma questão importante. Como transformar essa percepção individual em resultados organizacionais mensuráveis?
Um advogado pode sentir que está produzindo mais porque consegue elaborar documentos rapidamente. Entretanto, se a equipe de revisão passa a gastar mais tempo corrigindo inconsistências, parte do ganho desaparece.
Da mesma forma, um departamento jurídico pode produzir mais relatórios sem necessariamente melhorar a qualidade das decisões tomadas a partir deles.
A velocidade da inteligência artificial impressiona. O resultado econômico depende do que acontece depois que a resposta fica pronta.
A experiência de quem utiliza IA começa a fazer diferença
Outro estudo da Anthropic, publicado em março de 2026, examinou a relação entre experiência de utilização e desempenho.
A pesquisa identificou que usuários com pelo menos seis meses de experiência apresentavam uma taxa de sucesso aproximadamente 10% maior nas conversas analisadas.
Esses usuários também demonstravam maior disposição para trabalhar com tarefas complexas e utilizar a ferramenta de maneira colaborativa.
Esse resultado merece uma reflexão.
Durante muito tempo, a discussão sobre inteligência artificial ficou concentrada na escolha da melhor ferramenta e na elaboração de comandos, os chamados prompts. Embora esses elementos continuem importantes, a experiência prática sugere que o diferencial pode estar na capacidade de compreender o problema, organizar as informações, orientar a execução e avaliar criticamente os resultados.
Precisamos considerar uma limitação da pesquisa: a diferença observada não demonstra, isoladamente, que seis meses de utilização causaram a melhoria. É possível que usuários mais experientes também possuam características profissionais ou técnicas que influenciem seu desempenho.
Mesmo assim, o resultado oferece uma hipótese valiosa para os programas de capacitação.
Pense em dois advogados utilizando exatamente a mesma ferramenta.
O primeiro solicita uma análise contratual genérica e recebe uma relação de riscos que poderiam aparecer em praticamente qualquer contrato.
O segundo apresenta o contexto da negociação, identifica a posição de seu cliente, informa os objetivos comerciais, define os riscos que precisam ser examinados e solicita uma análise estruturada, com indicação das cláusulas relacionadas e das informações que ainda precisam ser confirmadas.
A ferramenta pode ser a mesma. A qualidade da interação provavelmente será diferente.
Essa diferença está diretamente relacionada à capacidade profissional de conduzir o trabalho.
Por isso, acredito que os escritórios precisam começar a avaliar seus programas de treinamento de inteligência artificial por critérios mais consistentes do que o número de pessoas que participaram de uma aula.
É necessário verificar se os profissionais estão conseguindo resolver problemas reais com mais qualidade, segurança e autonomia.
O impacto sobre os empregos pode começar antes das demissões
Uma das partes mais interessantes dos estudos da Anthropic envolve a relação entre inteligência artificial e mercado de trabalho.
Em março de 2026, a empresa publicou uma pesquisa sobre a exposição das ocupações à inteligência artificial e os primeiros sinais de seus efeitos sobre o emprego.
Os pesquisadores não identificaram, nos dados examinados, um aumento sistemático do desemprego entre trabalhadores das ocupações mais expostas à tecnologia.
Entretanto, encontraram indícios de desaceleração na contratação de profissionais jovens, especialmente entre 22 e 25 anos, nessas ocupações.
A pesquisa estimou uma redução de aproximadamente 14% na taxa de ingresso em novos empregos nas ocupações mais expostas, embora os próprios autores tenham destacado limitações estatísticas e explicações alternativas.
Esse dado exige cuidado. Ele não significa que 14% dos jovens perderam seus empregos, tampouco comprova que a inteligência artificial foi a causa exclusiva da redução observada.
Mas abre uma discussão importante para a advocacia.
Historicamente, muitas atividades realizadas por profissionais em início de carreira envolvem pesquisas, organização de documentos, elaboração de minutas, preparação de relatórios, conferência de informações e acompanhamento de rotinas processuais.
São atividades que também aparecem entre as aplicações possíveis da inteligência artificial.
Se uma parcela crescente dessas tarefas passar a ser executada por ferramentas tecnológicas, como acontecerá a formação dos profissionais que estão ingressando no mercado?
A preocupação é legítima porque a experiência profissional é construída por meio do contato com problemas concretos, da identificação de erros, da revisão de documentos e da compreensão progressiva das consequências de cada decisão.
Um advogado experiente consegue avaliar uma minuta porque acumulou conhecimento jurídico e prático ao longo de sua trajetória.
Mas como desenvolveremos essa experiência se os profissionais iniciantes deixarem de participar das etapas que tradicionalmente contribuíam para sua formação?
Não acredito que a resposta esteja em impedir a utilização da tecnologia. Isso seria pouco realista e desperdiçaria oportunidades relevantes.
A alternativa mais consistente é reorganizar a formação profissional.
Um advogado iniciante pode utilizar inteligência artificial para preparar uma pesquisa, desde que também seja responsável por verificar as fontes, compreender os fundamentos, identificar inconsistências e justificar as conclusões apresentadas.
O trabalho muda, mas o aprendizado precisa continuar.
O risco para a advocacia não está apenas na possibilidade de automatizar tarefas. Está também em deixar de formar profissionais capazes de compreender e supervisionar aquilo que foi automatizado.
A economia pode crescer enquanto parte dos trabalhadores perde espaço
Em setembro de 2026, a Anthropic publicou outro estudo, denominado Economic Scenarios for Transformative AI, examinando diferentes possibilidades de impacto da inteligência artificial sobre a economia dos Estados Unidos.
O estudo apresentou cenários que variam de mudanças modestas até transformações extremamente profundas.
Em um cenário de mudança substancial, o modelo projetou um Produto Interno Bruto 8,3% superior ao que existiria na trajetória de referência sem a transformação analisada, no início de 2030.
No cenário extremo, a diferença chegaria a 32,4%.
Esses números precisam ser compreendidos como resultados de simulações, condicionados às premissas adotadas pelos pesquisadores. Não são previsões de crescimento anual, tampouco garantias de que esses resultados acontecerão.
A parte mais provocativa da pesquisa aparece quando examinamos os efeitos sobre o trabalho.
No cenário extremo, o modelo também aponta uma taxa de desemprego de 17,9% entre trabalhadores de ocupações cognitivas e uma redução significativa da participação do trabalho na renda econômica.
A possibilidade examinada é que uma economia consiga produzir muito mais riqueza enquanto parte dos trabalhadores enfrenta dificuldades para participar dessa expansão.
É importante destacar que esse cenário não representa uma previsão da Anthropic para 2030. Trata-se de um exercício destinado a compreender o que poderia acontecer sob determinadas condições.
Mesmo assim, ele provoca uma reflexão relevante para a gestão.
O aumento de produtividade de uma organização não determina, por si só, como os benefícios serão distribuídos.
Um escritório pode utilizar inteligência artificial para reduzir custos, ampliar a capacidade de atendimento, melhorar a remuneração de seus profissionais, investir em formação ou oferecer serviços mais acessíveis aos clientes.
Essas decisões não são tomadas pela tecnologia.
São decisões de gestão.
E terão consequências para a cultura organizacional, a retenção de talentos, a qualidade do atendimento e a sustentabilidade do negócio.
O que tudo isso significa para os escritórios de advocacia?
Ao relacionar os estudos econômicos da Anthropic com a realidade dos escritórios e departamentos jurídicos, vejo uma oportunidade concreta de amadurecer a discussão sobre inteligência artificial.
A primeira mudança necessária está na maneira como medimos produtividade.
Ainda encontramos organizações que associam produtividade ao volume de atividades realizadas, à quantidade de documentos produzidos ou ao número de horas dedicadas ao trabalho.
Esses indicadores podem ter utilidade, mas são insuficientes para compreender os efeitos da inteligência artificial.
Imagine um escritório que produza cem contratos por mês e consiga, com apoio tecnológico, aumentar essa capacidade para cento e cinquenta.
O aumento de produção parece representar um avanço expressivo.
Entretanto, precisamos compreender se houve crescimento proporcional no retrabalho, se as cláusulas continuam adequadas às necessidades dos clientes, se a revisão está sendo realizada corretamente e se existe demanda suficiente para utilizar essa capacidade adicional.
Também precisamos verificar se o ganho econômico compensa os investimentos em tecnologia, treinamento, integração e supervisão.
Uma avaliação mais completa poderia acompanhar o tempo total de execução, a qualidade das entregas, a frequência de correções, a satisfação dos clientes e a capacidade efetiva de atendimento.
Esses indicadores permitem compreender se a inteligência artificial está contribuindo para melhorar a operação ou apenas acelerando etapas isoladas.
A segunda mudança envolve a organização das equipes.
A adoção de inteligência artificial tende a modificar a distribuição de atividades entre profissionais experientes, iniciantes, equipes administrativas e sistemas tecnológicos.
Isso exige revisar fluxos, responsabilidades e critérios de supervisão.
Na área jurídica, especialmente, não podemos confundir capacidade técnica de gerar uma resposta com responsabilidade profissional pelo seu conteúdo.
Uma ferramenta pode ajudar a estruturar argumentos, localizar informações, comparar documentos e preparar minutas. Entretanto, a responsabilidade pela análise jurídica, pela estratégia adotada e pela utilização adequada das informações continua exigindo atuação profissional.
A terceira mudança está relacionada ao desenvolvimento de competências.
Durante anos, muitos escritórios investiram em treinamento de softwares jurídicos para ensinar onde clicar, como cadastrar processos e como emitir relatórios.
Com a inteligência artificial, essa abordagem precisa evoluir.
Os profissionais devem aprender a formular problemas, organizar contextos, interpretar resultados, conferir informações, compreender limitações e decidir quando a tecnologia pode ou não ser utilizada.
Essas competências serão particularmente importantes em atividades envolvendo dados pessoais, informações sigilosas, estratégias processuais e documentos protegidos por confidencialidade.
A implementação responsável também exige regras claras sobre segurança da informação, proteção de dados, acesso aos sistemas e revisão das entregas.
Um exercício prático para começar dentro do escritório
Uma aplicação útil dos estudos da Anthropic seria escolher uma atividade recorrente do escritório e medir seu desempenho antes e depois da utilização de inteligência artificial.
Considere, por exemplo, a elaboração de um relatório processual mensal.
Inicialmente, registre quanto tempo a equipe utiliza para coletar informações, conferir andamentos, identificar eventos relevantes, organizar os dados e preparar o documento final.
Depois, introduza a inteligência artificial em etapas específicas, mantendo a revisão humana e registrando o tempo necessário para corrigir eventuais problemas.
Compare os resultados ao longo de um período suficientemente representativo.
A análise deve considerar a qualidade dos relatórios, a ocorrência de informações incorretas, o tempo de revisão e a percepção dos profissionais envolvidos.
Esse procedimento também pode ser aplicado à análise contratual, à triagem documental, à organização de publicações judiciais e à preparação de pesquisas jurídicas.
O objetivo é construir uma base de informações que permita decidir onde a tecnologia realmente agrega valor.
Prompt para avaliar o impacto econômico da IA em uma atividade jurídica
O comando abaixo pode ajudar a estruturar uma avaliação gerencial, desde que os dados fornecidos sejam reais e adequados ao compartilhamento com a ferramenta utilizada.
Copie e adapte:
Atue como consultor de gestão de escritórios de advocacia, com experiência em produtividade, tecnologia jurídica e análise de processos.
Vou apresentar uma atividade realizada em nosso escritório, incluindo o fluxo atual, os profissionais envolvidos, o tempo médio de execução, os custos conhecidos e a forma como pretendemos utilizar inteligência artificial.
Sua tarefa é:
- Identificar todas as etapas da atividade e separar aquelas que podem receber apoio tecnológico daquelas que exigem julgamento ou supervisão profissional.
- Estimar o tempo total antes e depois da adoção da IA, considerando preparação, execução, conferência, correções e retrabalho.
- Identificar riscos relacionados à qualidade, confidencialidade, proteção de dados e responsabilidade profissional.
- Propor indicadores para medir produtividade, qualidade, custos e resultados.
- Apresentar três cenários de adoção, conservador, intermediário e avançado, explicitando todas as premissas.
- Sugerir um plano de teste controlado, com critérios objetivos para decidir se a automação deve ser ampliada.
Não invente dados. Quando faltar alguma informação, indique claramente a lacuna e explique como ela poderá ser medida.
Ao final, apresente um parecer gerencial sobre a viabilidade da iniciativa e os cuidados necessários para sua implementação.
O valor desse exercício está na possibilidade de transformar impressões em informações gerenciais.
É comum ouvir que determinada ferramenta economiza várias horas de trabalho. A pergunta seguinte deveria ser como esse ganho foi medido e quais atividades foram consideradas no cálculo.
Sem esse cuidado, podemos tomar decisões importantes com base em percepções incompletas.
A inteligência artificial também está mudando o valor do conhecimento
Existe outro aspecto que considero especialmente relevante.
Durante muito tempo, o acesso à informação representou uma vantagem competitiva importante para os profissionais do Direito.
Quem conhecia determinada legislação, sabia localizar precedentes ou possuía experiência com um procedimento específico conseguia resolver problemas que outras pessoas enfrentavam com maior dificuldade.
A inteligência artificial está reduzindo parte das barreiras relacionadas à localização e à organização inicial das informações.
Isso não elimina a importância do conhecimento jurídico. Pelo contrário, aumenta a necessidade de saber avaliar aquilo que foi encontrado ou produzido.
Uma resposta tecnicamente convincente pode conter interpretações equivocadas, omitir informações essenciais ou apresentar referências inexistentes.
O profissional precisa possuir conhecimento suficiente para identificar essas situações.
Por isso, acredito que a valorização das competências jurídicas estará cada vez mais relacionada à capacidade de interpretar contextos, compreender consequências, construir estratégias e assumir responsabilidade pelas decisões.
A tecnologia amplia o acesso às informações e a capacidade de produzir materiais. O uso profissional dessas possibilidades continua dependendo de competência, experiência e critérios de qualidade.
O futuro do trabalho jurídico será definido pelas escolhas que fizermos agora
Os estudos da Anthropic mostram uma transformação econômica que merece ser acompanhada com seriedade.
Há evidências de que muitos usuários percebem ganhos relevantes de velocidade, capacidade de execução e aprendizagem. Também existem indícios de mudanças na distribuição das tarefas profissionais e preocupações legítimas com os efeitos sobre a formação e a entrada de novos trabalhadores no mercado.
Ao mesmo tempo, ainda há incertezas importantes sobre a intensidade dessas mudanças, seus efeitos de longo prazo e a maneira como os ganhos econômicos serão distribuídos.
Para a advocacia brasileira, os resultados internacionais funcionam como referências para investigação, e não como conclusões automaticamente aplicáveis à nossa realidade.
Precisamos considerar diferenças regulatórias, econômicas, educacionais, tecnológicas e organizacionais.
O que considero mais importante é perceber que a discussão sobre inteligência artificial entrou definitivamente no campo da gestão.
Já não basta acompanhar lançamentos, testar ferramentas e demonstrar funcionalidades impressionantes.
Precisamos compreender como a tecnologia altera o trabalho, quais competências devem ser preservadas e desenvolvidas, como os resultados serão medidos e de que maneira as organizações poderão crescer sem comprometer a qualidade dos serviços e a formação de seus profissionais.
Um escritório que adota inteligência artificial sem compreender seus processos corre o risco de automatizar problemas que já existiam.
Por outro lado, uma organização que conhece suas atividades, mede seus resultados e desenvolve suas equipes tem melhores condições de aproveitar os benefícios da tecnologia com responsabilidade.
Talvez a pergunta mais importante para os gestores jurídicos, neste momento, seja bastante simples:
Se a inteligência artificial permitir que sua equipe produza mais em menos tempo, o que exatamente você pretende fazer com essa capacidade adicional?
A resposta ajudará a definir o futuro do escritório, dos profissionais e da qualidade dos serviços oferecidos aos clientes.
A tecnologia continuará evoluindo. As decisões sobre como utilizá-la permanecem sob nossa responsabilidade.
#ForteAbraço
Gustavo Rocha
Consultor em gestão, tecnologia e marketing jurídico. Especialista em inteligência artificial, inovação, LGPD, Legal Ops e estratégia aplicada ao mercado jurídico.
http://www.gustavorocha.com
http://www.gustavorocha.ia.br
Fontes e referências
Anthropic Economic Index, edição de junho de 2026, “Cadences”
https://www.anthropic.com/research/economic-index-june-2026-report
Anthropic Economic Index, edição de março de 2026, “Learning curves”
https://www.anthropic.com/research/economic-index-march-2026-report
Anthropic, “Economic Index Primitives”, janeiro de 2026
https://www.anthropic.com/research/economic-index-primitives
Anthropic, “Labor market impacts of AI: A new measure and early evidence”, março de 2026
https://www.anthropic.com/research/labor-market-impacts
Anthropic, “Economic Scenarios for Transformative AI”, setembro de 2026
https://www.anthropic.com/institute/econ-scenarios