GPT 6 Astra chegou: agora não basta escolher o modelo, é preciso escolher quanto ele deve pensar

O Astra aumenta bastante a capacidade do ChatGPT para trabalhos complexos, especialmente quando há muitos documentos, várias etapas e informações que precisam ser cruzadas. Mas existe uma segunda escolha que começa a ser tão importante quanto o modelo: o nível de esforço de raciocínio adequado para cada tarefa. No jurídico, entender essa combinação pode fazer bastante diferença.

Durante muito tempo, escolher um modelo de inteligência artificial era relativamente simples. Usávamos o que estava disponível e tentávamos melhorar o resultado trabalhando o prompt.

Isso mudou.

Hoje, dentro do próprio ChatGPT, podemos ter modelos com capacidades diferentes e, em algumas configurações, controlar também quanto esforço de raciocínio será dedicado à resposta. É uma diferença que parece pequena quando olhamos para os botões da interface, mas fica bem interessante quando trazemos isso para a rotina jurídica.

Pense em duas situações.

Na primeira, um advogado precisa transformar uma orientação já definida em um e mail de cinco parágrafos para o cliente.

Na segunda, precisa analisar um processo extenso, relacionar petição inicial, contestação, documentos, perícia, sentença e acórdão para descobrir se determinada tese ainda faz sentido.

As duas tarefas podem ser realizadas no ChatGPT. Só que dificilmente precisam da mesma combinação de modelo e raciocínio.

É aí que o GPT 6 Astra começa a ficar interessante.

O que realmente muda com o Astra

O Astra foi desenvolvido para trabalhos mais complexos, especialmente aqueles que envolvem muitas informações, várias etapas, ferramentas e instruções que vão sendo acrescentadas durante o trabalho.

No jurídico, isso aparece de uma forma bastante concreta.

Imagine que você começa analisando um contrato. Depois acrescenta três aditivos. Em seguida informa que existe uma discussão judicial relacionada ao negócio. Mais adiante pede para confrontar determinada cláusula com uma política interna da empresa e, finalmente, quer avaliar duas alternativas de negociação.

O desafio não é apenas entender cada documento isoladamente. É preservar as relações entre todas essas informações enquanto o trabalho avança.

É exatamente nessa parte que eu vejo o maior interesse do Astra.

Também existe um ganho relevante quando trabalhamos com grandes volumes de contexto. Isso pode ajudar bastante em processos extensos, diligências documentais, investigações internas, pareceres baseados em vários documentos e revisões contratuais complexas.

Mas vale um cuidado.

Contexto grande não significa automaticamente análise correta. Conseguir receber uma quantidade enorme de informação e conseguir compreender juridicamente todas as relações existentes dentro dela são coisas diferentes.

Por isso, eu continuaria exigindo rastreabilidade, referências e conferência humana nos pontos importantes.

O ponto mais interessante talvez nem seja o Astra

O lançamento também ajuda a chamar atenção para uma questão que muita gente ainda usa pouco: modelo e esforço de raciocínio são escolhas diferentes.

Uma forma simples de compreender é pensar que o modelo define a capacidade disponível, enquanto o esforço determina quanto dessa capacidade queremos mobilizar naquela resposta.

A analogia não é perfeita, mas funciona.

Você pode colocar um ótimo advogado diante de uma dúvida simples e pedir uma resposta rápida. Ele não precisa passar duas horas refletindo sobre aquilo.

O mesmo advogado pode receber um caso complexo e precisar revisar documentos, testar argumentos, voltar às premissas e considerar interpretações concorrentes.

O profissional não mudou. O esforço dedicado ao problema mudou.

No ChatGPT acontece algo parecido.

Dentro das configurações baseadas no Sol, por exemplo, podemos trabalhar com níveis como Instantâneo, Médio, Alto e Extra alto. Isso permite manter o mesmo modelo e aumentar o raciocínio quando a dificuldade da tarefa cresce.

Essa possibilidade muda bastante a forma como eu escolheria o ChatGPT no escritório.

Quando aumentar o esforço sem mudar de modelo

Essa talvez seja a primeira coisa que eu testaria.

Imagine que estou utilizando o Sol em Médio para comparar duas versões de um contrato. O modelo identifica as alterações corretamente e mostra onde houve mudança de redação.

Até aqui, tudo bem.

Então percebo que uma alteração na cláusula de responsabilidade pode repercutir na limitação de danos, no seguro e na indenização prevista em outra parte do documento.

A dificuldade aumentou, mas ainda estou trabalhando com um conjunto de documentos controlado. Nesse caso, antes de mudar para outro modelo, eu aumentaria o esforço do Sol para Alto.

O prompt também mudaria.

Reavalie a alteração da cláusula [IDENTIFICAÇÃO], considerando seus possíveis efeitos sobre todas as disposições relacionadas.

Não limite a análise à diferença textual entre as versões.

Examine especialmente responsabilidade, indenização, limitação de danos, garantias, seguros, condições de aplicação e exceções.

Para cada consequência identificada, informe a cláusula que sustenta a conclusão.

Diferencie claramente conteúdo contratual, inferência jurídica, risco potencial e questão que dependa de informação adicional.

Considere interpretações alternativas e indique quando a redação permitir mais de uma leitura razoável.

Não presuma fatos que não estejam nos documentos.

Aqui eu continuo com o mesmo modelo, mas estou pedindo uma análise mais exigente.

Se o resultado for bom, não há nenhum motivo técnico para mudar simplesmente porque existe um modelo superior disponível.

Médio, Alto e Extra alto não significam a mesma coisa

Eu gosto de pensar nesses níveis pela dificuldade da decisão que vem depois da resposta.

Médio funciona bem quando quero organizar, comparar ou compreender um assunto que não apresenta muitas interpretações concorrentes.

Alto começa a fazer mais sentido quando quero compreender consequências, relações entre documentos ou efeitos de determinada interpretação.

Extra alto eu reservaria para tarefas nas quais estou realmente testando hipóteses.

Imagine que o escritório já tenha construído uma tese para determinado recurso. Em vez de pedir mais uma resposta favorável à própria tese, eu usaria maior esforço para tentar destruí la.

Esse é um excelente uso da IA.

Faça uma revisão adversarial da análise abaixo.

Considere que a conclusão atualmente defendida pode estar errada.

Procure premissas frágeis, fatos que admitam interpretação diferente, argumentos relevantes da parte contrária, documentos que enfraqueçam nossa conclusão e fundamentos da decisão que ainda não tenham sido adequadamente enfrentados.

Para cada problema identificado, apresente a referência documental correspondente e explique o impacto sobre a tese.

Diferencie fato, alegação, prova, conclusão judicial e inferência analítica.

Não procure uma solução favorável à parte representada apenas porque ela é nossa cliente.

Ao final, informe quais conclusões permanecem suficientemente sustentadas, quais precisam ser revistas e quais dependem de informação adicional.

Esse é um exemplo em que aumentar o esforço dentro do próprio Sol pode fazer mais sentido do que trocar imediatamente para Astra.

Então quando realmente vale subir de modelo?

Eu mudaria de modelo quando a complexidade começasse a aparecer no trabalho inteiro, e não apenas em uma pergunta específica.

Um contrato e dois aditivos podem ser muito bem trabalhados com Sol em Alto ou Extra alto.

Agora imagine outro caso.

Temos contrato principal, quatro aditivos, acordo de tratamento de dados, SLA, proposta comercial, atas de reunião, e mails que alteraram condições da execução e uma ação judicial relacionada ao negócio.

Já não estamos apenas interpretando uma cláusula difícil.

Estamos tentando preservar relações entre várias fontes diferentes e entender como uma informação interfere nas outras.

É nesse ponto que eu começaria a olhar para Astra.

A mesma lógica vale para processos judiciais.

Se preciso apenas resumir uma sentença, provavelmente não começaria por Astra.

Se preciso identificar os fundamentos da sentença, talvez Sol em Médio seja suficiente.

Se quero confrontar sentença, contestação e provas, aumentaria para Alto.

Se quero testar uma tese recursal de forma adversarial, Extra alto pode fazer sentido.

Agora, se preciso reconstruir o processo inteiro, relacionar fatos, peças, provas, decisões e hipóteses estratégicas, o Astra passa a ser uma escolha bem mais natural.

O famoso processo de mil páginas

O exemplo das mil páginas é bom porque torna a diferença fácil de visualizar. Mas eu não escolheria o modelo apenas pelo número de páginas.

Um processo pode ter mil páginas e centenas delas serem repetitivas ou pouco relevantes para a questão analisada.

Outro pode ter duzentas páginas e esconder uma discussão jurídica dificílima.

O critério que eu prefiro é outro: quantas relações importantes precisam permanecer corretas para que eu consiga responder à pergunta?

Se são poucas relações, talvez eu possa aumentar o esforço mantendo o Sol.

Se existem muitas peças, diferentes versões dos fatos, documentos contraditórios, várias decisões e hipóteses jurídicas concorrentes, Astra começa a justificar sua utilização.

E eu evitaria uma coisa: simplesmente jogar o processo inteiro na IA e escrever “analise tudo”.

Pode funcionar? Pode.

É um método que eu recomendaria profissionalmente? Não.

Eu prefiro começar pelo controle documental.

Um prompt técnico para análise de processo inteiro

Aqui eu manteria um prompt bem rigoroso, mesmo que o restante da conversa com a ferramenta seja mais informal.

Analise os documentos acessíveis do processo [IDENTIFICAÇÃO], referente a [ÁREA], para apoiar o trabalho do advogado de [PARTE REPRESENTADA].

Objetivo específico da análise: [DESCREVER].

Antes de qualquer conclusão jurídica, faça o controle documental do material fornecido.

Identifique os arquivos efetivamente acessíveis, seus tipos, eventos, IDs e intervalos de páginas, quando essas informações estiverem disponíveis.

Havendo índice, andamento processual ou extrato atualizado, confronte esse material com os documentos recebidos.

Não declare que os autos estão completos sem elementos suficientes para essa conclusão.

Registre documentos examinados, documentos parcialmente acessíveis, páginas ilegíveis, anexos mencionados e não localizados, possíveis duplicidades e conteúdos visuais cuja leitura não tenha sido confirmada.

Depois dessa etapa, reconstrua a cronologia processual, distinguindo a data dos fatos, a data de produção dos documentos e a data de sua juntada.

Para cada questão controvertida, relacione a alegação de cada parte, as provas que a sustentam, elementos contrários, decisões existentes e questões ainda pendentes.

Diferencie expressamente alegação, documento, prova, conclusão judicial e inferência da análise.

Toda conclusão relevante deve apresentar referência ao arquivo, evento, ID, cláusula ou página correspondente, quando essa informação estiver disponível.

Nunca trate “não localizado” como sinônimo de “inexistente”.

Identifique também os argumentos que possam enfraquecer a posição da parte representada.

Quando uma conclusão depender de legislação ou jurisprudência atualizada, indique a necessidade de pesquisa externa ou realize essa pesquisa somente se houver ferramenta disponível e autorização para isso.

Não invente precedentes, páginas, datas, documentos ou fatos.

Quanto aos prazos, somente apresente vencimento definitivo após verificar marco inicial, forma da comunicação, regime de contagem, eventuais suspensões e calendário aplicável. Apresente a memória de cálculo.

Não protocole documentos, não envie comunicações e não pratique qualquer ato externo.

Entregue o relatório com síntese executiva, cronologia, questões controvertidas, análise das provas, pontos favoráveis, pontos contrários, riscos, lacunas, pendências para revisão humana e registro da cobertura documental.

Nesse tipo de trabalho eu provavelmente começaria por Astra.

Dependendo da dificuldade jurídica, também aumentaria o esforço.

Astra nem sempre precisa estar no máximo

Aqui aparece outro ponto interessante.

Escolher Astra não significa automaticamente colocar o raciocínio no nível mais alto disponível.

Imagine uma análise de cinquenta contratos com uma matriz de riscos já definida.

É muito documento, o que favorece um modelo com grande capacidade de contexto. Porém, a atividade intelectual é relativamente delimitada: localizar determinadas informações, classificá las e indicar a origem.

Nesse caso, Astra com esforço moderado pode fazer bastante sentido.

Examine todos os documentos fornecidos exclusivamente segundo a matriz de critérios abaixo.

Para cada critério, classifique o resultado como identificado, não identificado, inconclusivo ou documento insuficiente.

Toda classificação deve conter referência exata ao documento e à cláusula ou página correspondente.

Não amplie a matriz por iniciativa própria.

Não classifique ausência de localização como inexistência.

Quando houver conflito entre documentos, apresente ambas as fontes antes da classificação.

Matriz de análise: [INSERIR].

Observe a diferença.

Existe muita informação, mas a pergunta é controlada.

Eu quero contexto e consistência muito mais do que criatividade jurídica.

Quando Astra merece raciocínio alto

Agora imagine os mesmos documentos, mas a pergunta muda.

O cliente quer saber qual de três estratégias jurídicas e negociais apresenta melhor relação entre risco, custo, tempo e impacto sobre a operação.

Nesse caso, temos grande volume documental e também uma decisão complexa.

Astra com esforço mais elevado começa a fazer sentido.

Compare as alternativas estratégicas [A], [B] e [C], sem presumir previamente que alguma delas seja superior.

Para cada alternativa, identifique os fatos necessários para que ela seja viável e confronte esses fatos com os documentos disponíveis.

Analise fundamentos jurídicos favoráveis e contrários, premissas frágeis, riscos processuais, consequências práticas e informações ainda ausentes.

Desenvolva os melhores argumentos possíveis contra cada alternativa.

Identifique fatos ou documentos que possam modificar substancialmente a conclusão.

Ao final, compare as alternativas apenas com base nas premissas confirmadas.

Não atribua percentual de probabilidade de êxito sem base empírica específica e metodologia verificável.

Separe claramente informação documental, análise jurídica, inferência e recomendação.

Aqui já estamos usando o modelo para ajudar a organizar uma decisão, não apenas um documento.

É outro nível de trabalho.

Antes de colocar tudo no máximo, faça uma pergunta simples

Eu perguntaria: estou diante de um problema de raciocínio ou de falta de informação?

Essa distinção é essencial.

Se não tenho o aditivo contratual que alterou a obrigação principal, aumentar o esforço para Extra alto não resolve.

Se falta o laudo que fundamentou a sentença, Astra no máximo também não resolve.

Modelos melhores conseguem raciocinar melhor sobre aquilo que receberam. Eles não criam documentos que nunca foram fornecidos.

Uma resposta muito sofisticada pode até aumentar o risco nesse caso, porque sua qualidade textual transmite uma segurança que os dados não justificam.

Como eu usaria cada combinação no escritório

Para organizar isso de forma prática, minha primeira tentativa seria esta:

TarefaModelo e esforço que eu testaria primeiro
Melhorar um e mailSol Instantâneo
Explicar decisão para clienteSol Instantâneo ou Médio
Resumir documento conhecidoSol Médio
Comparar duas versões contratuaisSol Médio
Avaliar consequências de mudanças contratuaisSol Alto
Revisar uma tese jurídicaSol Alto
Fazer revisão adversarial da teseSol Extra alto
Parecer técnico complexoSol Pro ou Astra
Muitos documentos com critérios objetivosAstra com esforço moderado
Processo inteiro com peças, provas e decisões relacionadasAstra
Estratégia complexa com hipóteses concorrentesAstra com esforço alto
Revisão final de questão excepcionalmente difícilAstra com maior esforço disponível
Transformar conclusão validada em comunicação ao clienteVoltar para Sol Instantâneo ou Médio

Essa é uma recomendação de uso, não uma tabela oficial da OpenAI. E ela deve ser validada com a realidade do escritório.

Talvez determinada equipe descubra que Sol Alto resolve muito bem 90% das suas análises contratuais. Excelente. Nesse caso não vejo motivo para trocar apenas porque Astra é mais novo.

Um caso interessante: o mesmo trabalho pode usar vários níveis

Imagine a elaboração de um parecer.

Na primeira etapa, quero organizar os documentos. Posso utilizar uma configuração mais rápida.

Depois preciso interpretar uma questão controvertida. Aumento o esforço.

Surge uma interação entre várias áreas jurídicas e uma quantidade grande de material. Passo para Astra.

A análise estratégica termina.

Agora preciso transformar tudo aquilo em um resumo executivo de uma página para a diretoria.

Posso voltar para uma configuração mais rápida.

Isso faz bastante sentido porque a complexidade não é uniforme dentro de um projeto.

Talvez esse seja um dos aprendizados mais importantes dessa nova geração: o modelo não precisa ser uma escolha permanente para todo o trabalho.

Você pode combinar ferramentas e esforços conforme a etapa.

E os outros modelos?

Eu continuaria usando os demais modelos tranquilamente.

O Luna faz sentido quando velocidade e simplicidade importam mais do que análise sofisticada. Mensagens, transformações simples de texto e tarefas repetitivas podem funcionar muito bem nele.

O Terra, quando disponível em ambientes específicos, pode ocupar uma posição intermediária em trabalhos de organização e execução.

O Sol continua sendo extremamente relevante. Para mim, ele provavelmente permanece como o modelo principal do cotidiano porque permite ajustar o raciocínio sem necessariamente trocar de modelo.

O Sol Pro continua sendo uma alternativa forte para tarefas muito exigentes e pode continuar encaixado em fluxos que o escritório já testou.

Astra entra quando a complexidade cresce a ponto de justificar esse novo teto de capacidade.

O erro seria imaginar que o lançamento de Astra torna todo o restante obsoleto.

Não torna.

Uma Ferrari continua sendo um carro extraordinário. Isso não significa que seja a melhor escolha para ir buscar pão a duas quadras de casa.

Privacidade não muda porque o modelo ficou melhor

Existe ainda um cuidado importante para a advocacia.

Antes de enviar um processo inteiro para qualquer IA, precisamos olhar para o ambiente em que estamos trabalhando, o contrato aplicável, as regras de tratamento dos dados, as permissões da organização e a política interna do escritório.

A escolha do modelo não resolve isso.

Também manteria uma separação bem clara entre analisar e agir. Uma IA autorizada a analisar um processo não deveria entender isso como autorização para protocolar algo. Uma análise de contrato não significa autorização para modificar o documento original. Preparar uma comunicação não significa autorização para enviá la.

Quanto mais capazes as ferramentas ficam, mais importante fica estabelecer esses limites.

Como descobrir se Astra realmente melhora o seu trabalho

Eu faria um teste bastante simples.

Escolha um caso que a equipe conheça bem.

Pode ser um contrato já revisado, um parecer concluído ou um processo cujos pontos importantes já estejam identificados.

Execute a mesma tarefa com Sol Médio, Sol Alto, Sol Extra alto e Astra.

Depois compare.

Veja se os fatos importantes foram encontrados, se as referências estão corretas, se os argumentos contrários apareceram, se houve invenção de informação e quanto tempo o advogado gastou para validar o material.

Essa última métrica é muito importante.

O melhor modelo não é necessariamente aquele que responde mais rápido. É aquele que reduz o tempo total necessário para chegar a uma entrega confiável.

Uma análise feita em trinta segundos que exige quarenta minutos de correção pode ser pior do que outra que demorou alguns minutos e precisou de uma revisão muito menor.

O Astra mudou o teto, mas o esforço continua sendo uma escolha

Talvez seja isso que mais me interesse nessa nova fase do ChatGPT.

Durante anos discutimos qual ferramenta utilizar. Depois começamos a discutir qual modelo escolher dentro da ferramenta. Agora precisamos entender também qual intensidade de raciocínio faz sentido para cada trabalho.

Para um advogado, isso é bastante intuitivo quando pensamos na própria profissão.

Nós não dedicamos o mesmo tempo e profundidade intelectual a todas as tarefas.

Há momentos de execução rápida. Há momentos de análise cuidadosa. E existem aqueles casos em que sabemos que precisamos colocar tudo sobre a mesa, revisar premissas, confrontar argumentos e olhar novamente para os documentos antes de tomar uma decisão.

Com IA começa a acontecer algo parecido.

Eu continuaria usando o Sol como ferramenta de rotina e aumentaria o esforço quando a complexidade estivesse principalmente na interpretação. Quando o problema passasse a envolver muitas relações, muitos documentos, várias etapas ou uma decisão especialmente difícil, olharia para Astra.

E mesmo depois de escolher Astra, não partiria automaticamente para o esforço máximo.

Usaria o necessário.

Porque inteligência artificial bem utilizada também é gestão de recursos, tempo e risco.

No final, talvez duas perguntas sejam suficientes antes de selecionar o modelo:

qual é a dificuldade real desta tarefa e o que eu preciso conseguir conferir quando ela terminar?

Responder isso costuma ser mais útil do que simplesmente clicar no nome mais novo disponível.

#ForteAbraço

Gustavo Rocha
Consultor em gestão, tecnologia e marketing jurídico. Especialista em inteligência artificial, inovação, LGPD, Legal Ops e estratégia aplicada ao mercado jurídico.
www.gustavorocha.com
www.gustavorocha.ia.br

Deixe uma resposta