Departamento jurídico contrata qual tipo de escritório? #DepartamentoAsQuintas

possoajudarUma interessante entrevista com o editor da revista Análise Advocacia aborda inúmeros pontos sobre os escritórios jurídicos que nos remetem ao pensamento do crescimento do escritório, investimento em pessoas, tecnologia e marketing jurídico, ou seja, como ser uma excelência para atender o seu cliente, que poderá ser o departamento jurídico de uma empresa.

Vamos analisar alguns pontos, demonstrando o pensamento do entrevistado com algumas ideias que penso a respeito.

ConJur — O que mais mudou no mercado da advocacia nos últimos dez anos?
Alexandre Secco — Naquela época a gente falava o que estava na moda era o escritório empresa — uma coisa que as pessoas repetiam, mas pouca gente sabia o que isso significava. Naquele momento, os escritórios começaram a achar bacana importar práticas de grandes empresas, mas que não funcionavam direito quando chegavam às bancas. Essa crise de identidade já está resolvida. Os escritórios hoje são administrados de uma forma mais adequada: são pessoais até o nível que devem ser e não querem mais copiar a Volkswagen.

ConJur — O que o escritório precisa para crescer hoje em dia?
Alexandre Secco — O fator decisivo, como sempre foi, é o atendimento. A forma como o cliente é atendido define mais do que tudo para onde se vai. Acompanhamos nesses dez anos uma série de estratégias, alternativas, sacadas… O que a gente observou como elemento essencial é o bom atendimento, uma prestação de serviço jurídico adequado. Não estou dizendo nem barata. Estou dizendo adequada, bem feita. Eu acho que esses escritórios foram aqueles que cresceram mais nestes últimos tempos e eu acredito que vão continuar sendo aqueles que vão progredir.

Gustavo Rocha – Concordo integralmente. Atendimento sempre foi e sempre será um diferencial competitivo forte, principalmente em um ambiente em que escritórios pensam que podem ganhar dinheiro pagando pouco, para pessoas sem formação ou conhecimento para resolverem situações complexas, como se quem paga não vê e quem recebe não faz.

Isto não funciona mais em empresas com departamento jurídico estratégico.

ConJur — Quais as novidades na gestão de escritórios que o senhor tem visto?
Alexandre Secco — A maior novidade já tem mais de dez anos. São softwares de gestão de processos. Há dez ou 15 anos, eram coisas tão raras que foram dois ou três escritórios que desenvolveram seus próprios programas. Não encontravam sequer programadores para fazer isso e eles venderam esse negócio. A partir desse momento isso começou realmente a se espalhar e virar padrão. Fora isso, temos pouca coisa. Não tivemos grandes avanços em área nenhuma. Um ou outro disse que vai investir em marketing, outro tem um departamento de RH mais desenvolvido. Me espanta até que esses avanços tenham ocorrido de forma tão moderada.

(…)

ConJur — Quanto é preciso investir em tecnologia?
Alexandre Secco — Vou fazer uma comparação com uma agência de propaganda. O que ela vende de mais valioso é a criatividade. Nenhum computador faz. No Direito é rigorosamente a mesma coisa. Para se fazer uma sustentação oral no Supremo, escrever uma tese, é preciso uma pessoa. Assim como o publicitário é insubstituível, o advogado é insubstituível. Mas assim como o publicitário conta com ferramentas para facilitar seu trabalho, o advogado pode contar também. O advogado pode contar com a ferramenta de pesquisa, com a ferramenta de análise do processo, ele pode ter base de dados de juízes para avaliar como é que um vota ou deixa de votar. A tecnologia pode gerenciar o escritório de uma forma mais adequada e eficiente. A aplicação da tecnologia dentro de um escritório de advocacia é ilimitada. Não é o equipamento que define a qualidade daquilo que você vai fazer. Mas isso vai ajudar a chegar a alguns objetivos com mais rapidez e eficiência.

ConJur — As empresas de tecnologia têm sido capazes de adiantar novidades ou elas estão à reboque das necessidades dos escritórios?
Alexandre Secco — Sempre surge uma coisa ou outra nova, para que você possa gerir melhor a sua vida. Mas não se encontra nada revolucionário. Afinal, para ser revolucionário nessa área, talvez o Direito também precise mudar, além dos processos, os tribunais e tudo mais. Não é o que acontece. Essas ferramentas têm dado um ganho em usabilidade, em rapidez, em fatores não propriamente essenciais.

ConJur — Mas elas estão propondo necessidades novas para os advogados?
Alexandre Secco — Eu acho que sim. Grande parte dos escritórios ainda está muito distante das possibilidades do uso da tecnologia. O que essas ferramentas estão apresentando hoje é um beabá. Elas não estão mostrando nada, a meu ver, muito revolucionário. Se você tivesse um mercado mais maduro, no que diz respeito ao uso de tecnologia, talvez você estimulasse essas empresas a avançar. As empresas ainda têm um mercado mais básico para atender.

Gustavo Rocha – A tecnologia sem gestão é manca, cega. Precisamos exercitar a gestão para forçar e conquistar uma tecnologia mais voltada a satisfação dos clientes de escritórios jurídicos.

De outro lado, a cada ano, softwares tem lançado novidades aplicadas a área jurídica que, mesmo existindo em outras áreas, no jurídico era inexistente, o que demonstra um crescimento claro da tecnologia.

Concordo em relação ao mercado, posto que escritórios ainda estão tão no início, que os softwares já ofertam tecnologias considerada por eles complexa, embora sejam reais e aplicáveis nas empresas.

ConJur — O que dá para modernizar na questão de marketing jurídico? Existe uma margem que ainda dá para ser explorada ou está todo mundo trabalhando no limite?
Alexandre Secco — Tem muita margem. O marketing nesse tipo de empresa ainda é muito atrasado. Escritórios podem ter muito a ganhar construindo e gerenciando sua marca. Quando se fala sobre isso os escritórios acham que o problema se resolve chamando o designer e fazendo um logo. O problema é muito mais além. Quando se fala em branding, você pensa na marca do escritório de uma forma muito mais ampla. A forma como você atende o seu telefone é marketing. Ter alguém preparado para atender alguém e lidar com essa demanda é tão marketing quanto por uma anúncio em algum lugar. Eu falei agora do caso dos estagiários. Eu nunca vi alguém em escritório pegar essa demanda por estagiário e transformar isso em uma ação de marketing. Tem o produto que é um escritório de ponta; tem o interessado por este produto que é um estagiário bem formado. Contar para todo mundo que esse estagiário quer trabalhar nessa empresa pode gerar uma ação de marketing extraordinária. Isso sem fazer nada pelo que a Ordem dos Advogados do Brasil vá pegar no seu pé. O que eu acho é que os escritórios estão muito acomodados na ideia de que “a OAB não deixa”. A OAB não deixa cinco coisas. Existem 58 mil que você pode fazer. Eu tenho a impressão que é isso.

Gustavo Rocha – Concordo integralmente. Como membro da Comissão de Fiscalização e Ética Profissional da OABRS recebemos diariamente inúmeras denúncias de advogados fazendo o que não deve ser feito, que é publicidade. E não percebem que este tipo de atitude não apenas atrai clientes que não querem pagar ou pagar muito pouco, como atrapalham a valorização do advogado, que anda tão desgastada.

Marketing jurídico sério e bem aplicado se traduz em resultados práticos e objetivos. Publicidade não faz nada de bem a marca jurídica.

Para ler a entrevista na íntegra, acesse aqui.

Empresas e clientes contratam escritórios focados em gestão, que aplicam tecnologia de forma inteligente e sabem propor sua marca jurídica de forma adequada e inteligente.

O resto é propaganda e ilusão jurídica.

E de aventuras jurídicas já bastam as decisões do judiciário em alguns casos, não é mesmo?

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Artigo escrito por Gustavo Rocha

GustavoRocha.com – Gestão e Tecnologia Estratégicas

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