[Departamento as quintas] O Trabalho, segundo Khalil Gibran

Todas as quintas-feiras publicamos no portal GestãoAdvBr um artigo inédito sobre departamentos jurídicos e seus relacionamentos internos, com escritórios terceirizados e muito mais. Nos acompanhe!

Quando converso com gestores de departamentos jurídicos e igualmente com sócios de escritórios de advocacia, um dos temas que a reclamação é uníssona: Como falta gente qualificada, comprometida e principalmente focada no trabalho.

Encontramos pessoas que querem um emprego e não um trabalho. Como assim? Querem fazer um serviço mediano, ganharem bem, sem precisar pensar muito e sem estresse. Querem a sexta-feira perto das 18h, mas não pensam que para a sexta chegar primeiro tem a semana que já inicia no segundo dia (no Domingo, primeiro dia descansamos) e devemos merecer a sexta-feira.

Minha visão é diferente. Muitos dirão que minha visão é romântica, de um pretenso poeta (podem conferir em http://www.blogdogustavorocha.com.br/) ou até mesmo irreal.

Discordo. Quanto mais leio este texto percebo em mim mesmo que somente vendo desta forma, parecido ou quem sabe interpretando este texto podemos compreender o trabalho de uma forma plena.

O texto foi extraído do livro O profeta de Khalil Gibran. Este é um dos livros que já li e reli inúmeras vezes, e já presenteei muitas pessoas com ele, pois vale a pena.

 

Texto:  O Profeta, de Khalil Gibran

Então, um lavrador disse: “Fala-nos do Trabalho.” E ele respondeu, dizendo:

“Vós trabalhais para vos manter no compasso da terra e da alma da terra. Pois ser indolente é intrometer-se nas estações, e afastar-se da procissão da vida, que segue majestosa e orgulhosamente submissa, rumo ao infinito.

Ao trabalhardes, sois uma flauta cujo coração o murmúrio das horas atravessa e transforma-se em música. Quem de vós permaneceria silente como o junco quando tudo ao redor canta em uníssono?

Sempre vos disseram que o trabalho é uma sina e a labuta um infortúnio.

Mas eu vos digo que, ao trabalhardes, estais realizando o sonho mais longínquo da terra, a vós designado quando nasceu,

E, apegando-se à labuta, estareis amando verdadeiramente a vida,

E quem ama a vida através do trabalho compartilha do seu segredo mais íntimo.

Mas se em vossas dores dizeis que o nascimento é uma aflição, e as necessidades da carne uma sina, inscrita em vossa fronte, então respondo que nada, além do vosso suor, lavará esse estigma.

Disseram-vos também que a vida são trevas; e em vossa fadiga repetis o que disseram os fatigados.

E eu vos digo: a vida são mesmo trevas, salvo quando há ímpeto,

E todo ímpeto é cego, salvo quando há conhecimento,

E todo conhecimento é vão, salvo quando há trabalho,

E todo trabalho é vazio, salvo quando há amor;

E quando trabalhais com amor, estais unindo-vos a vós próprios, e uns aos outros, e a Deus.

E o que é trabalhar com amor?

É tecer o pano com o fio de vosso coração, como se vosso bem-amado fosse mesmo trajá-lo.

É construir uma casa com afeto, como se vosso bem-amado fosse mesmo habitá-la.

É plantar as sementes com ternura e fazer a colheita com alegria, como se vosso bem-amado fosse mesmo comer as frutas.

É impregnar tudo que fazeis com o sopro de vossa própria alma,

E saber que todos os mortos abençoados estão vos observando de perto.

Muitas vezes ouvi-os dizer, como se falásseis em vosso sono: ‘Aquele que trabalha com o mármore, e encontra na pedra a forma de sua própria alma, é mais nobre do que aquele que ara o solo. E aquele que toma o arco-íris para estendê-lo sobre a tela à semelhança do homem é mais do que aquele que faz sandálias para calçar nossos pés.’

Porém eu vos digo, não em sono, mas em plena vigília do meio dia, que o vento não fala com mais doçura ao carvalho gigante do que à menor das hastes da relva; E só é grandioso aquele que transforma, com seu próprio amor, o murmúrio do vento em música ainda mais serena.

O trabalho é amor tornado visível.

E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com dissabor, é melhor abandonar vosso trabalho e ir sentar-vos à porta do templo à espera de esmolas daqueles que trabalham com alegria. Pois se fazeis o pão com indiferença, vós os fazeis amargo, incapaz de saciar a fome do homem. E se tendes rancor ao amassar a uva, vosso ressentimento destila veneno no vinho. E ainda que cantais como anjos, mas não amais vosso canto, impedis que o homem ouça as vozes do dia e da noite.”

Vamos pensar, raciocinar, sentir, amar aquilo que fazemos no nosso dia a dia, pois o trabalho é uma das partes da tríplice força da vida: Amor, trabalho e fé.

O que é o trabalho senão o amor tornado visível, não é mesmo?

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Artigo escrito por Gustavo Rocha – Sócio da Consultoria GestaoAdvBr

www.gestao.adv.br  |  gustavo@gestao.adv.br

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