Marketing Jurídico e suas facetas

Recentemente li um artigo de um promotor de justiça que debatia com bastante inteligência e perspicácia a questão do Marketing Jurídico.

Leia a conclusão do autor deste artigo, o Promotor André Luis Alves de Melo:

CONCLUSÃO

A rigor, um fato é que a OAB é dirigida por advogados com mais renome e tradição. Inclusive pelo fato de ser uma função exercida sem remuneração, acaba por impedir que advogados empregados e advogados integrantes de pequenos escritórios participem. Pode-se dizer que há necessidade de ser um advogado empregador, para que possa se dedicar às atividades relevantes da OAB, mas sem fechar as portas do escritório.

Sempre existe uma massa de advogados que quer adentrar eticamente no mercado, mas tem tido dificuldades em razão das barreiras concorrenciais impostas pela OAB. Não se defende a concorrência predatória ou desleal, mas é preciso rever os paradigmas para que a advocacia possa exercer a sua função social e a população tenha acesso ao serviço do advogado privado conforme a realidade atual.

O perfil do advogado liberal que tinha um trabalho artesanal e focado em poucas causas tem mudado muito em razão da mudança do próprio Judiciário como da própria população. Hoje exige-se uma maior visão empreendedora e gerencial com divisão de função e trabalho integrado com outros setores de conhecimento.

Como bem colocou SUSSKIND, pesquisador da Universidade Howard:

A internet encoraja a comunicação e a colaboração. No futuro teremos comunidades de clientes dividindo os custos de serviços jurídicos similares. Também haverá na rede roteiros gratuitos sobre as leis. Esses roteiros devem ser construídos da mesma maneira como foi a Wikipedia. Se refletirmos sobre o desenvolvimento da internet, veremos que os usuários já contribuem em blogs, wikis e redes de relacionamento. A maneira como as pessoas se comunicam já mudou e continua em modificação. Isso também afetará clientes e advogados. A conseqüência será a difusão dos conhecimentos jurídicos. Advogados que não quiserem dividir conhecimento serão postos de lado. (SUSSKIND, Richard. entrevista Época, n 507, 4 fevereiro, 2008).

A estrutura jurídica e social de hoje não é mais a de 15 anos atrás, logo é preciso remodelar para atender às exigências atuais.

Hoje a advocacia privada acaba perdendo espaço para a advocacia pública, estatal e até mesmo os novos advogados sendo reféns das bancas mais estruturadas, pois não conseguem adentrar no mercado. Ouve-se sempre de influentes advogados que participam da OAB quando se dirigem aos mais jovens: “Esperem a sua vez, ela chegará, eu esperei a minha”. Traduzindo isso seria: “Não concorram conosco”.

Existe um enorme mercado que pode ser atendido pela advocacia, mas que para ser atingido precisa que as regras de atendimento sejam modificadas e simplificadas para serem popularizadas, por exemplo estimular a população consultar um advogado antes de casar e não apenas quando divorciar, para isto é preciso usar mídias de massa como a TV e rádio, além se simplificar os meios de pagamento como cartões de crédito e planos de assistência jurídica. Nem mesmo demonstram interesse em que as despesas com advocacia possam ser abatidas no Imposto de Renda, pois estimularia o uso do serviço pela classe média e alta.

Na atividade de defesa da ordem jurídica justa, bem como fiscalizar as entidades públicas, além de permitir ao cidadão que tenha um acesso facilitado ao indispensável serviço do advogado. Por isso devem-se estudar políticas que facilitem o acesso ao advogado, o que não significa apenas implantar a defensoria, mas permitir também que o cidadão tenha o direito de contratar, em condições mais simplificadas, o serviço tão essencial que é oferecido pela advocacia particular.

O artigo é bem extenso, leia-o na íntegra, aqui.

O autor defende que o advogado pode e deve utilizar meios de massa para chegar aos seus clientes, como rádio e TV. O que você acha disto?

Hoje, com as regras que estão em vigor, sabemos que não é possível fazer este tipo de marketing sem estar incorrendo em infração ética.

Contudo, a reflexão que faço é no futuro.

Com as redes sociais em profusão, a criação todos os dias de blogs e sites jurídicos com cada vez mais conteúdo qualificado na internet, a base do relacionamento está mudando.

Todo marketing jurídico atual é baseado nesta palavra: Relacionamento. O restante são ações concretas para gerar relacionamento e assim, a relação cliente – advogado.

Se o relacionamento está mudando de foco, está virtual, está rápido, está informativo, está cada vez mais alicerçado em redes, conexões e indicações, o marketing jurídico também está nesta tendência.

Não podemos ignorar o avanço da tecnologia em prol dos relacionamentos.

Fica a questão: Vamos revolucionar o marketing jurídico?

6 comentários sobre “Marketing Jurídico e suas facetas

  1. Achei a conclusão e o texto do nobre Promotor simplesmente fantásticos, por um único motivo: disse o óbvio, sendo educado, polido e objetivo! Temos que abandonar essa trava institucional posta por aqueles quejáconseguiram seu lugar ao sol! Ademais, advogado que é bom em um determinado segmento tem sim que ser autorizado a fazer propaganda. Sempres respeitando requisitos mínimos, claro, mas tem que usar das mídias sem ter medo de ser repreendido por aqueles que, só em razão da segurança financeira atual se dão ao luxo de obstar aos mais novos a otimizaçcão de recursos que, no tempo deles, nem sequer eram imaginados! Parabéns e contem comigo para a revolução do marketing juridico!

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  2. A realidade da advocacia realmente mudou e digo isso com mais de 25 anos de profissão. As relações se modificaram os clientes também. Hoje é raro não haver a comunicação via e-mail ou similar. Não creio que ir à televisão fazer propaganda seja um ideal no futuro próximo, pois as grandes bancas enterrarão de vez os pequenos escritórios e aqueles que trabalham sozinhos. Prefiro postular a flexibilização das regras de publicidade e “marketing” impostas pela OAB. Regras essas que violadas todos os dias de diversas formas, por exemplo: a mala direta é proibida, mas são envidadas aos milhares, diariamente, a propositura de ações para pagamento os expurgos inflacionários, muitas vezes mascaradas por pseudo associações, de assessorias de bureu de negócios, etc. nos dão conta disso. Felizmente a “internet” democratizou em parte esse tipo de propaganda. Abre-se qualquer grande portal de direito e veja-se quantos anúncios saltam aos olhos do internauta. Esse universo da “web” está saturado. Afinal quem escolhe o advogado pelo sítio na “ïnternet”? Resta saber como evidenciar a imagem de uma banca de pequeno ou médio porte ou de um ótimo advogado que labore sozinho senão por uma exposição na mídia, por menor que seja, como uma reportagem em um jornal de grande circulação. Hoje, aparecer na mídia é o grande sonho de qualquer advogado ou banca que pretenda se projetar no mercado. Estou errado?

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    • Mauricio, obrigado pelo seu comentario!

      Penso que o marketing juridico esta renovando. Fazer propaganda na internet vejo como um desespero. Contudo, escrever artigos, fazer podcasts, ou seja, dizer o que pensa na internet atrai pessoas que querem saber sobre estes assuntos.

      O marketing dentro do codigo de etica existe, precisamos nos adequar e inovar!!!

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