Se da advocacia ao judiciário usam IA, o que ainda diferencia um bom advogado?

A ascensão da inteligência artificial (IA) no setor jurídico transformou as expectativas sobre habilidades profissionais. Um estudo do Bipartisan Policy Center indica um crescimento de 165% na demanda por competências relacionadas à IA entre 2025 e 2026. Contudo, a necessidade de habilidades como comunicação, gestão e resolução de problemas não desapareceu. Em vez disso, a valorização profissional está mudando para a capacidade de entender e trabalhar com IA, ao invés de apenas produzi-la. A formação de novos advogados deverá integrar conhecimento jurídico com habilidades tecnológicas, promovendo um perfil mais híbrido que combine a compreensão da lei com a aplicação de IA nos processos.

Só um Copilot não usa seus dados, e o contrato da Microsoft muda em 30 de setembro

O novo Contrato de Serviços da Microsoft, que entra em vigor em 30 de setembro de 2026, traz importantes mudanças para usuários brasileiros, que passarão a contratar a Microsoft Brasil, com a legislação nacional regendo o contrato. Uma diferença crucial é que existem vários Copilots, com regras distintas de privacidade, e a escolha entre eles acontece durante o login. O contrato também enfatiza que, apesar das melhorias na proteção do consumidor, ainda há limitações de responsabilidade e riscos associados ao uso de dados. É fundamental que as empresas aí estejam atentas ao tipo de conta usada, visto que a segurança e a privacidade variam significativamente entre os serviços.

A IA de 2026 ainda enfrenta uma pergunta de 1985: onde está o contexto?

Em 1985, o artigo de Rick Briggs destacou a necessidade de uma representação de conhecimento eficaz em inteligência artificial, abordando como a linguagem natural contém um contexto implícito que as máquinas não conseguem processar. Quatro décadas depois, apesar dos avanços tecnológicos, esse desafio persiste. A IA moderna pode analisar grandes volumes de informações, mas falha em compreender o significado sem contexto adequado. O uso de prompts contextualizados, semelhante a briefings profissionais, é crucial para melhorar a eficácia da IA. Assim, a organização do conhecimento continua sendo fundamental para otimizar a interação e os resultados com esses sistemas, refletindo na prática profissional atual.

A IA já entrou na empresa. A governança ainda está na portaria.

Uma pesquisa da SAP, em colaboração com a Oxford Economics, revelou que 82% das organizações brasileiras usam ferramentas de IA sem supervisão formal. Essa questão está entrelaçada em um cenário onde, devido à busca por eficiência, funcionários adotam IA de forma não autorizada, como na análise de documentos. Além disso, 43% das empresas relataram vazamento de dados associados ao uso das ferramentas. A discussão sobre governança se torna crucial, exigindo um inventário das tecnologias utilizadas e uma avaliação mais aprofundada sobre segurança, privacidade e processos antes de implementar políticas restritivas.

ChatGPT Astra for law: 230 milhões de URLs e as perguntas que a advocacia brasileira precisa fazer

A OpenAI lançou em setembro de 2026 o ChatGPT Astra for law, uma inteligência artificial projetada para aprimorar tarefas jurídicas como pesquisa de jurisprudência e análise de documentos. É crucial compreender as fontes consultadas, o acesso ao sistema e como as respostas são verificadas, dado que a precisão das informações é essencial para a prática legal. O acesso inicial é restrito a escritórios dos EUA, levantando questões sobre a utilidade em contextos brasileiros. Profissionais devem assegurar que a IA respeite critérios internos e privacidade dos dados, além de implementar revisões humanas adequadas. A adoção requer planejamento cuidadoso e avaliação contínua.

Do MVP ao MVD: por que construir deixou de ser o gargalo do seu escritório

A discussão sobre a distribuição mínima viável (MVD) demonstra que muitas inovações jurídicas falham em cativar usuários. Novas tecnologias permitem que advogados desenvolvam produtos rapidamente, mas a falta de clientes interessados leva ao insucesso. A MVD propõe focar na distribuição efetiva e na preparação de dados relevantes para decisões. O setor jurídico enfrenta desafios únicos, como a necessidade de construir confiança e reputação, que não podem ser substituídas por tecnologia. As normas da OAB regulam a publicidade, e os escritórios devem se adaptar, priorizando relacionamentos e estratégias de distribuição específicas e éticas.