[Terças de negócios] Fusões e Aquisições: O que é e como estamos

O século XXI trouxe uma nova configuração para o ambiente de trabalho, em termos de competitividade para as organizações, de multiplicidade de mercados em que todos devem adaptar-se a uma sociedade que se transforma rapidamente, com exigências e oportunidades em constante mutação. De acordo com Schermerhorn (2007), as nações e as organizações estão se tornando cada vez mais interdependentes. Os avanços tecnológicos, principalmente em comunicação e transporte, somados à desregulamentação dos mercados, abrem fronteiras, possibilitando uma nova economia interligada, global, de incerteza, permitindo um maior fluxo de pessoas, dinheiro, bens, serviços e informações.

O novo cenário econômico possibilitou, de acordo com Kimura e Suen (1997), que as organizações modernas buscassem o ingresso em novos mercados, visando obter economias de escala e de produção, bem como a maior participação em mercados promissores, denominados emergentes. Para Dupas (2001, p. 44), ainda que a concorrência global seja uma questão basicamente privada, é grande o papel reservado aos Estados Nacionais em proporcionar um ambiente adequado ao apoio das empresas nelas sediadas.

Incutido no que vem sendo discutido, Barros, Souza e Steuer (2003, p. 18) destacam que as formas de combinação estratégica entre as empresas tem variado desde um networking meramente informal até mesmo a aquisição de outros players do mercado. Os investimentos variam segundo o tipo de relacionamento, tendo em vista que cada um tem seu próprio formato legal. Esses novos formatos de operação referenciados pelas autoras a partir de Mirvis e Marks (1998) podem evoluir de acordo com um processo que vai desde um simples licenciamento, passando por aliança, parceria, joint venture e fusões e aquisições.

No que tange Fusões e aquisições, a união de duas ou mais companhias que formam uma única empresa, geralmente sob controle administrativo da maior ou mais próspera (ROSSETTI, 2001, p. 72). Envolvem a criação de uma organização a partir da combinação de duas ou mais empresas, com nova identidade. As empresas que lhe deram origem deixam de existir legalmente. No mundo hoje, diversas tem sido as ações nesse contexto. Recentemente a United Airlines e Continental Airlines anunciaram a fusão por meio de swap de ações, ou seja, a junção de patrimônio e fluxo de caixa sem prêmio. Esse modelo de fusão faz com estas duas tradicionais companhias aéreas tornem-se a maior companhia aérea do mundo em receita. A promessa das empresas é de uma melhora em seus serviços e aumento nos trechos e rotas atendidas.

A marca United permanecerá no mercado, devido sua maior credibilidade e conhecimento do público estrangeiro. Dois grandes problemas estão sendo discutidos e podem causar certa preocupação sobre a fusão da United com a Continental: O 1º e mais obvio é quanto à força de trabalho, ou seja, quantos desses funcionários perderão seus empregos, já que em uma fusão é claramente necessária à demissão de pessoal devido a sobreposição de cargos e funções. O 2º é o que mais preocupa nós consumidores, pois com o nascimento de uma companhia tão grande e com uma fatia de mercado tão relevante (22% dos assentos apenas no mercado norte americano), certamente a concorrência diminuirá e os preços podem aumentar, ainda mais com as perdas que as companhias tiveram no biênio 2008/2009. Voltando para os âmbitos comunicacionais, em uma fusão como essa, como definir, por exemplo, qual marca deve continuar operando e qual deve “deixar de existir”? Como proteger a marca destes problemas evidentes e assegurar a pressão dos sindicatos e da sociedade? Em situações como a descrita acima, o mais correto a fazer é fazer uma pesquisa de reputação com consumidores para que seja analisada qual marca é mais forte e com qual modelo de serviço o consumidor se identifica mais, isso garante uma continuidade saudável para o bem-estar da empresa, dos acionistas e dos consumidores.

Ao nos depararmos com a realidade das fusões e aquisições no mercado brasileiro, a ANBIMA (Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) (2013), nos revela dados promissores do referido mercado, denotando um crescimento acentuado nos últimos anos. Dessa forma, O volume dos anúncios de fusões e aquisições chegou a R$ 122,3 bilhões em todo o ano de 2012. O volume foi 14,4% inferior ao de 2011 (R$ 142,8 bilhões) e o segundo menor da série desde 2007, superando apenas o baixo volume registrado em 2009, de R$ 119 bilhões. O número de operações no ano, contudo, se manteve próximo ao observado no ano anterior. Ao todo, foram 176 operações em 2012, apenas três a menos do que em 2011, o que indica uma redução do volume médio das operações realizadas no último ano.

Entre os anúncios feitos em 2012, se destacou o setor de transporte e logística, com 20,2% do volume de operações, seguido do setor de energia, com 15% do total. Quanto à origem do capital, a maior parte do volume do ano se distribuiu entre aquisições entre empresas brasileiras (R$ 42,7 bilhões) e aquisições de empresas brasileiras por companhias estrangeiras (R$ 42 bilhões). Neste último caso, houve grande participação de empresas europeias, que responderam por 30,9% das aquisições de empresas brasileiras (R$ 13 bilhões). A forma de pagamento mais utilizada nas operações em 2012 foi dinheiro (74,9% dos negócios), seguida do pagamento com ações (13,9%) e com a assunção de dívidas (7,9%). Em 2011, este perfil foi diferente: os pagamentos em dinheiro responderam por 57,8% do volume de operações, seguidos do pagamento com ações, que tiveram participação de 39% sobre o total.

Escrito por Jonas Venturini, sócio da Bruke Investimentos

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